1 de novembro de 2017 - 16h26

Luciano Siqueira: A crise e a crise dos grandes partidos  


Spon Holz/Divulgação
Entre as causas de suas agonias há que se incluir a influência do poder econômico Entre as causas de suas agonias há que se incluir a influência do poder econômico
As causas imediatas estão na própria crise que esgarça a sociedade brasileira e tem na esfera institucional uma dos seus principais fatores.

O Executivo, sob o comando de um reles negocista e envolto em comprovadas denúncias de corrupção e afins, não ultrapassa 5% de aprovação junto à população. Cumpre uma agenda absurdamente contra o povo e a nação, urdida e manipulada pelo Mercado em consórcio com a banda mais oligárquica da tupiniquim.

O Judiciário, alçado indevidamente a uma hegemonia por todos os títulos prejudicial ao equilíbrio dos poderes da República, perde credibilidade na mesma velocidade com que se deixa envolver com interesses partidários e de grupos.

E o Legislativo, cujos membros das suas duas instâncias federais, na maioria, se encontram sub judice e amargam crescente desconfiança por parte dos eleitores, permanece entre semiparalisado e na defensiva, tendo como pauta essencial o conluio com a presidência da República.

Nessas circunstâncias, não surpreende que próceres dos grandes partidos reconheçam de público a crise interna que enfrentam aliada ao desgaste externo.

Entre as causas de suas agonias há que se incluir o próprio sistema partidário e eleitoral caduco, eivado de cívicos em geral associados à influência do poder econômico.

Mais apegados a interesses nem sempre confessáveis e de descortino imediatista e pouco afeitos a compromissos programáticos, distanciam-se dramaticamente das condições de responderem aos desafios ora postos.

Assim, forçoso é reconhecer que adiante, conquistadas as condições políticas de superação da multifacetada crise em que o país se vê mergulhado, a agenda política há que incluir uma verdadeira reforma do sistema partidário e eleitoral, para muito além das minirreformas que nos últimos anos têm se sucedido.

Os partidos no Brasil só alcançarão outro patamar de real legitimidade quando, de fato, se converterem em organizações programáticas e nitidamente representativas de classes e segmentos de classes.

Disso também depende a construção da democracia em bases minimamente conscientes e estáveis.

(*) Luciano Siqueira é vice-prefeito do Recife e dirigente estadual e nacional do PCdoB.

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