Brasil

13 de outubro de 2017 - 10h01

Amores de Chumbo, de Tuca Siqueira, estreia no Festival do Rio

Divulgação
Cena do filme Amores de Chumbo Cena do filme Amores de Chumbo

Inicialmente, Tuca queria fazer um Filme de época sobre a vida dos militantes políticos durante a ditadura, mas, depois de pesquisar o período – bem próximo da realidade dela, pois o pai, o vice-prefeito do Recife, Luciano Siqueira, foi preso pelo governo militar – e de entregar o roteiro, ela deixou-o de lado para um processo de decantação em que o resultado não foi satisfatório.

“Depois fui fazer Eu Vou Contar para Meus Filhos e A Mesa Vermelha, dois documentários em que ouvi 45 ex-presos políticos na faixa etária dos personagens de Amores de Chumbo. Isso me influenciou muito porque essas pessoas só são chamadas para falar sobre o passado, mas elas estão aí, vivendo. Foi quando me dei conta de que não queria fazer um filme de época, mas sobre hoje. Foi um desafio e uma delícia fazê-lo. Quando as pessoas falam que foram nove anos, eu não sinto esse peso, porque ele foi uma grande escola. Por conta disso é que estudei e me preparei cada vez mais para ele”, explica Tuca, por telefone, do Rio, onde está para acompanhar as sessões.

Amores de Chumbo conta a história do reencontro da escritora pernambucana Maria Eugênia (Maê), radicada na França, com o casal Miguel e Lúcia, que acaba de completar 40 anos de casamento. Agora na casa dos 65/70 anos, os três ainda carregam histórias de quando participaram ativamente da vida política do Brasil. “A gente escolheu o amor do presente para falar do passado. É um filme de amor. Estamos usando uma frase para definir o filme: ‘O que o tempo não apaga, incendeia’. O que todo mundo carrega, além da idade, é a memória. Não existe muitos filmes com personagens nessa idade, parece que a gente não envelhece nunca”, questiona a diretora.

Elenco

Para dar corpo e alma aos seus personagens, Tuca foi ousada em suas escolhas. Apesar de ser o primeiro filme, ela foi atrás de três atores com larga experiência teatral, mais do que cinematográfica. Miguel, um professor de sociologia e ex-preso político, é interpretado pelo ator e diretor de teatro cearense Aderbal Freire-Filho, uma indicação da corroteirista Renata Mizhari.

“Ela havia me falado de Aderbal e eu fiquei encantada. Entrei em contato com ele da maneira mais simples. Mandei um e-mail dizendo que era pernambucana e esse era meu primeiro filme.

Depois de uma conversa no Rio, já saí de lá sabendo que ele era Miguel”, relembra Tuca. A escolha das atrizes também foi um processo de escolha em que Tuca conversou com muitos colaboradores. Maê é interpretada por Juliana Carneiro da Cunha (de Lavoura Arcaica). “O legal é que Juliana mora na França e isso coincidiu com a personagem dela. No caso de Lúcia, eu queria uma atriz pernambucana ou nordestina. Foi quando conheci Augusta Ferraz, que é uma grande dama do nosso teatro”, disse Tuca.


Fonte: Jornal do Commercio

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