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10 de outubro de 2017 - 17h46

Independência da Catalunha é declarada, agora começam as negociações

   

No início de seu discurso, que durou cerca de meia hora, Puigdemont afirmou que se tratava de um momento excepcional, e que a Catalunha, para além de um assunto interno, é um assunto europeu.

Condenou a violência policial no dia do referendo independentista, em que grande parte do povo catalão votou pelo “sim”, isto é, pela separação da região da Espanha, além das ações desencadeadas pela justiça catalã nos dias anteriores ao 1º de outubro para impedir a consulta. “Essa foi a primeira jornada eleitoral que presenciou ataques policiais contra aqueles que faziam fila para colocar seu voto na urna”, afirmou o líder da Generalitat, antes de agradecer aos voluntários e funcionários que garantiram a concretização da consulta.

A Esquerda Unida espanhola já havia declarado, além do repúdio aos ataques do governo conservador espanhol, apoio ao referendo legítimo por consultar de forma democrática a opinião e vontade dos catalães, mostrando sua insatisfação.

O líder catalão também desvalorizou a decisão tomada por diversas grandes empresas de mudar sua sede para outras regiões da Espanha, assegurando que tal movimento teria “mais efeitos nos mercados” do que na economia real da Catalunha.

Puigdemont afirmou que “de mim não esperem nem ameaças nem insultos”, assegurando que está ali para falar “para toda a população”. “Nunca estaremos de acordo em tudo, mas entendemos que a única forma de avançar é através da democracia e da paz”. Reafirmou que a constituição de um Estado é a única forma de garantir autonomia: “milhões de cidadãos chegaram à conclusão racional que a única maneira manter a autonomia é garantir que a Catalunha se constitua como um Estado. As últimas eleições são prova disso”. O governador defendeu durante todo o discurso a ideia de que são os catalães que devem decidir o seu futuro.

“Assumo o mandato do povo para que a Catalunha se converta em um Estado independente em forma de República” declarou, anunciando a independência da Catalunha, contudo pedindo que seus efeitos fossem suspensos para tentar uma mediação com o governo espanhol. “Não temos nada contra a Espanha e os espanhóis. Contudo há muitos anos a relação não vai bem, e nada tem sido feito para remediar” continuou, afirmando a necessidade de “um diálogo, pois sem ele não é possível alcançar uma solução acordada”.

“Peço aos cidadãos da Catalunha que sigam se expressando de maneira cívica e pacífica; aos partidos peço que contribuam com suas palavras para baixar a tensão, e que os meios de comunicação e o governo renunciem a repressão; peço também que a União Europeia se envolva profundamente” completou Puigdemont, reafirmando que “os resultados serão levados em conta no tempo do diálogo que estamos dispostos em assumir”.

Gabriel Rufían, porta-voz adjunto do grupo da Esquerda Republicana da Catalunha no Congresso de Madri, em entrevista ao jornal português Público na terça feira (10), pouco antes do discurso de Puigdemont, já sabendo a posição que seria tomada pelo governador da Catalunha, assinalou o acontecimento como um começo, e não um fim: “hoje, inicia-se o processo constituinte da futura república catalã”.

Segundo ele, o presidente Catalão deverá apelar ao diálogo e insistir na necessidade de mediação. Apesar disso, temem a reação do governo espanhol. “Esperamos o mesmo de sempre, mais ameaças, sentenças, detenções e uma grande repressão, mais a habitual guerra suja mediática. Já nada nos surpreende. A questão é saber qual será a resposta do povo da Catalunha a essa repressão”.

A resposta do governo espanhol

O presidente do governo espanhol Mariano Rajoy convocou um Conselho de Ministros extraordinário para quarta-feira (11) com o objetivo de analisar qual será a resposta de Madri à situação da Catalunha e ao discurso de Puigdemont. Contudo, segundo o jornal El País, que cita fontes do Governo espanhol, Madri vê o discurso independentista como uma declaração unilateral de independência, o que pressupõe a adoção de medidas já sugeridas por Rajoy. “Espera-se que o Governo aplique o artigo 155 da Constituição”, escreve o jornal espanhol, referindo-se à norma que suspende as instituições autônomas.

Apesar das atitudes do governo espanhol, a Esquerda Unida espanhola defende o diálogo entre os dois governos e a criação de um Estado Plurinacional, para que não haja separação e para que a Catalunha seja ouvida.

A declaração de independência da Catalunha foi firmada na tarde desta terça-feira (10) após o discurso de Carles Puigdemont, primeiro a assinar em cerimônia no parlamento catalão, seguido de 72 deputados. Contudo, a declaração seguirá suspensa até que hajam possíveis negociações. 



* estagiária no Portal Vermelho 

Do Portal Vermelho 

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