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9 de outubro de 2017 - 16h13

O diálogo continua sendo a melhor solução para Espanha e Catalunha 

"Parlem": Em Barcelona, manifestantes pedem diálogo "Parlem": Em Barcelona, manifestantes pedem diálogo

Segundo informações do jornal espanhol El País, a manifestação tinha como objetivo pedir o fim da “marginalização” dos catalães nacionalistas e que são contra a independência da região, e que agora exigiam ser escutados e levados em conta na decisão. Ainda pelas informações do jornal, o ganhador do Nobel Mario Vargas Llosa discursou contra a "paixão nacionalista", chamou Carles Puigdemont, Oriol Junqueras e Carme Forcadell de "golpistas", e destacou que "a conjura independentista não destruirá 500 anos de história" da unidade da Espanha nem a transformará em um país "de terceiro mundo".

O conservador Partido Popular participou da marcha com a presença de alguns de seus principais líderes parlamentares, entre eles, a presidenta da Comunidade de Madri, Cristina Cifuentes, e a ministra da Saúde, Dolors Montserrat. A cúpula do partido Cidadãos, com Albert Rivera e Inés Arrimadas, fez o mesmo.

O Partido dos Socialistas da Catalunha (PSC), que nunca havia apoiado marchas da Sociedade Civil, desta vez defendeu a manifestação, sem se somar formalmente ao ato.

Outra marcha ocorrida no sábado (7) que também uniu forças contra a independência da Catalunha provocou bastante polêmica, por contar com o apoio de instituições como a associação ultracatólica Hazte Oír.

As duras manobras econômicas do governo espanhol

Na quinta-feira (5) o El País publicou uma matéria em que relatava um dos golpes mais duros do Governo Espanhol contra o movimento independentista da Catalunha: uma mudança normativa que tornará possível a saída de empresas da região com a autorização de parte de seu conselho de administração, e sem a necessidade de que a decisão seja submetida a uma junta de acionistas. A medida facilitaria, como explicou a reportagem, a transferência de empresas como a CaixaBank, um dos maiores bancos da Espanha, que no momento possui em seu estatuto um artigo que impede sua saída de Barcelona sem o aval dos acionistas.

No sábado (7) outra matéria do jornal espanhol evidenciou a fuga de empresas da região da Catalunha, que em dois dias perdeu a sede social dos dois maiores bancos: o já citado CaixaBank e o Sabadell. Empresas com ações em Bolsa como Gas Natural, Service Point e Agbar também anunciaram sua transferência. Além disso, várias companhias anunciaram que estão estudando seguir esse mesmo caminho, como Freixenet e Codorniu. Escritórios de advocacia e consultoria afirmam que as mudanças de endereço continuarão, e lamentam que os investimentos tenham sido paralisados.

Segundo a explicação presente na matéria, baseada em fontes do setor, a partida dos bancos está arrastando outras entidades menores, gestoras de ativos e companhias de seguros. Na sexta-feira (6), anunciaram sua partida o Banco Mediolanum e a Arquia Banca, antiga Caja de Arquitectos. Em todos os casos as empresas alegaram proteção de clientes ante a ameaça de ficarem fora do sistema europeu e do guarda-chuva do Banco Central Europeu.

O posicionamento da esquerda espanhola e o embate entre as direitas

No dia 1 de outubro a Esquerda Unida, articulação política composta pelo Partido Comunista Espanhol e outras siglas progressistas da Espanha, emitiu um comunicado em que rechaçava a violência policial do presidente espanhol Mariano Rajoy contra o povo catalão e defendia um Estado Plurinacional. No mesmo comunicado pediu-se a renúncia de Rajoy, governo considerado intransigente por não ter capacidade política de atender às demandas sociais. A coalizão defendeu o diálogo como sendo a melhor forma para se chegar a um acordo sobre a questão da Catalunha e defende a realização de um referendo. No entanto, declarou que a melhor saída para este impasse seria a formação de um Estado Plurinacional da Espanha, não a separação de territórios: “pensamos que segue sendo o tempo da política, o que implica em abrir uma negociação que inclua um referendo que sirva para que a sociedade catalã possa decidir sobre seu futuro. Consideramos, da mesma forma, que a melhor fórmula para nosso país é a República Federal, que terá que se abrir diante desta crise de Estado frente a diversos nacionalismos intransigentes e partidos políticos apodrecidos pela corrupção”.

A Esquerda espanhola continua defendendo a bandeira do diálogo. Acredita ser legitimo o referendo para que o povo da Catalunha possa expressar seu descontentamento, mas ainda avalia que a melhor saída é a negociação; além disso, coloca-se contra as repressões e medidas adotadas pelo governo conservador da Espanha para o silenciamento da Catalunha e contra a tentativa unilateral de se separar adotada pelos representantes catalães, também conservadores.

No final da manhã do sábado (7), milhares de pessoas se reuniram para reivindicar uma negociação entre Rajoy e Carles Puigdemont para a solução do conflito soberanista. Vestida de branca, a multidão gritava “conversem ou renunciem!”. O ato, convocado pela plataforma “Parlem?” (“falemos?”), lotou a praça Sant Jaume, em Barcelona, e contou com a participação de políticos como Miquel Iceta, líder do Partido dos Socialistas da Catalunha (PSC) e Ada Colau, prefeita de Barcelona. Não havia nem bandeiras espanholas nem bandeiras da Catalunha, mas apenas pedidos de paz e cartazes que criticaram tanto a “declaração unilateral de independência” convocada pela Catalunha quanto o artigo 155 da Constituição que o Governo espanhol cogita evocar para intervir na região.


*estagiária no Portal Vermelho 

Do Portal Vermelho 

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