Brasil

3 de outubro de 2017 - 9h08

Morte do reitor Cancellier provoca luto e indignação em Santa Catarina


Foto: Divulgação
 A trajetória do professor Cancellier foi destacada por diversas instituições  A trajetória do professor Cancellier foi destacada por diversas instituições
Uma das manifestações mais veementes foi da seção estadual da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SC) que, ao manifestar seu profundo pesar pela morte do reitor, afirmou ainda que “é chegada a hora da sociedade brasileira e da comunidade jurídica debaterem seriamente a forma espetacular e midiática como são realizadas as prisões provisórias no Brasil, antes sequer da ouvida dos envolvidos, que dirá sua defesa”. Para a entidades dos advogados “reputações construídas duramente ao longo de anos de trabalho e sacrifícios podem ser completamente destruídas numa única manchete de jorna”. Para a OAB-SC pessoas inocentes sofrem um prejuízo é irreparável, cabendo-lhes a vergonha, a dor, o sentimento de injustiça. “O peso destes sentimentos pode ser insuportável”, enfatiza a nota dos advogados.

A União Nacional dos Estudantes (UNE) também manifestou seu pesar e indignação pela morte de Cancellier, “vítima de uma injusta e arbitrária ação da Polícia Federal”, segundo a entidade estudantil. A UNE resgatou a arbitrariedade cometida contra o reitor e a ampla solidariedade que lhe foi prestada. A entidade relembrou a trajetória de Cancellier como militante estudantil e afirmou que ele foi “um reitor próximo das pautas e demandas do movimento estudantil brasileiro, especialmente na defesa da universidade pública e de seu papel enquanto fomentadora do debate crítico e político. A UNE considera a situação trágica que "além de nos entristecer nos preocupa e indigna".  Para a entidade estudantil "vivemos em um ambiente de sérias perseguições à figuras e lideranças políticas, e a universidade pública passa também a ser vítima desse processo, num verdadeiro desmonte de todas conquistas que tivemos em nosso país". Ao final a UNE manifesta solidariedade à toda família, amigos e à comunidade universitária da UFSC e repudia toda e qualquer operação policial que não se paute pelo devido processo legal e pelo justo direito de defesa.

As direções do PCdoB de Santa Catarina e Florianópolis publicaram uma nota conjunta em os comunistas externam consternação com a morte do reitor e manifestam "solidariedade à toda família, amigos e amigas e à comunidade universitária da UFSC". O PCdoB "repudia toda e qualquer operação policial e judicial que não se paute pelo devido processo legal e pelo justo direito de defesa". Os comunistas catarinenses afiram ainda que "a bandeira da corrupção não pode ser empunhada para promover linchamentos e condenações sem o devido processo legal. A exposição prematura, a parcialidade na condução das análises e a irresponsabilidade nas divulgações que comprometem a reputação das pessoas devem ser condenadas".

A União da Juventude Socialista de Santa Catarina (UJS-SC) também divulgou nota em que registra que o professor Luiz Carlos Cancellier foi vítima de perseguição política em plena democracia. Registra a trajetória do "bom camarada Cau", como era também conhecido o professor da UFSC, desde o movimento estudantil até assumir a reitoria da universidade "em pleno desmonte de tudo que era bom ao povo brasileiro e manteve-a em pé, para os trabalhadores, para os estudantes e para a sociedade brasileira". Os jovens socialistas afirmam que as perseguições como a que vitimou o reitor não podem ficar impunes. "Um poder da República não pode sobressair sobre os demais. A mídia que acusa, mente e persegue sem provas não pode sair ilesa. Nos lembraremos da sua luta e da sua história, mas não nos esqueceremos dos seus malfeitores. A justiça seletiva e parcial que se estabeleceu tem lado, e não é o lado dos justos. A mídia não está no lado da verdade", afirma a nota".

A Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) se solidarizou com a dor dos familiares do reitor Cancellier e toda a comunidade acadêmica da UFSC. A entidade a registra a solidariedade que o professor recebeu da administração da universidade, Institutos, professores e estudantes que manifestaram seu repúdio à forma com que essa operação policial contra o reitor foi conduzida e publicizada. A ANPG reforça que o Brasil vive um período de ataques às instituições públicas e práticas chegam mais uma vez à Universidade Pública Brasileira. Os pós-graduandos afirma que continuarão "a defender educação pública, gratuita e de qualidade, e mais investimento em pesquisa e inovação para fomentar a soberania nacional". Reiteram a defesa do direito ao contraditório e da presunção de inocência para todos os indivíduos, garantidos pela Constituição cidadã de 1988.

Luto oficial

O Governo estadual de Santa Catarina, a Universidade Fedederal de Santa Catarina (UFSC), a Universidade Estadual de Santa Catarina (Udesc) e as prefeituras de Florianópolis e Tubarão (cidade natal de Cancellier) também divulgaram notas de pesar e decretaram luto oficial.

A Associação Catarinense de Imprensa (ACI) disse que "lamenta a tragédia com o amigo, jornalista, advogado, professor e reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Luiz Carlos Cancellier. Para a ACI "o acontecimento entristece a todos e deixa enlutados os colegas do homem que ao longo da vida deu inúmeras provas de companheirismo e apoio às causas da liberdade de expressão, do bom jornalismo e da educação. A ACI externa seus profundos e sinceros sentimentos de pesar à família e amigos".

A Academia Catarinense de Letras Jurídicas (ACALEJ), emitiu nota em nome da diretoria e "expressando o sentimento unânime de seus integrantes, manifesta o imenso pesar pelo falecimento, nesta data, de seu Acadêmico Luiz Carlos Cancellier de Olivo". A nota afirma ainda que "o Confrade Luis Cancellier foi escolhido pela totalidade dos Acadêmicos para preencher a referida Cadeira e nela empossado, pela sua excepcional Cultura Jurídica e produção de Letras Jurídicas de elevada qualidade técnica e de conteúdo. A ACALEJ apresenta solidariedade à Família e à Universidade Federal de Santa Catarina por esta perda irreparável".


 
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