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26 de setembro de 2017 - 20h02

Eleições na Alemanha e as grandes manobras do eixo germano-francês


EPA
   
Merkel, que passará por dificuldades em formar governo, e Macron, fustigado nas ruas pelos trabalhadores franceses, e sofrendo uma derrota nas eleições para o Senado, vão manter o projecto caro aos grandes grupos econômicos que levaram ambos ao poder e aí, para já, os sustentam, na medida em que ambos se identificam muito com eles. A forma como ambos estão projetados como grandes líderes políticos no circo mdiático revela o suporte desses grandes grupos. Em ambos os países as classes médias e populares pagam o preço da ortodoxia orçamental que praticam.

A ideia de que na Alemanha tudo vai bem e de que ela pode constituir exemplo para o resto da Europa não resiste à análise dos números. Merkel pode brandir ter o mais baixo desemprego da Europa, mas os alemães e o próprio FMI sabem – e dão conta disso – que os jovens para sobreviverem têm que ter dois ou três empregos por dia, em virtude dos tempos parciais de trabalho (com o correspondente corte de remunerações), que a precaridade disparou no país, que aumentam as desigualdades sociais – que já atingiram os níveis arrepiantes dos EUA –, e a parte da população a viver abaixo da pobreza, os serviços públicos e a protecção social.

O envelhecimento da população e a possibilidade de encontrar trabalho alternativo levou os industriais a pressionar a aceitação de uma imigração, essencialmente síria forçada a sair do país pela guerra de agressão que sofreu mas que está em vias de ser vencida. Não há humanismo de Merkel ao aceitar imigrantes com bons níveis de formação e qualificação (as "vítimas" de Assad) que vão aceitar remunerações de trabalho mais baixas.

Em França, Macron, seguindo o exemplo da colega alemã, chantageia: "Querem reduzir o desemprego? Então aceitem a precaridade.". As Leis do Trabalho podem cair pela base. Macron, como referimos, quer introduzir, com o seu nome, as leis Wartz que foram introduzidas na Alemanha a partir de 2005.

Esse pacote inclui a facilitaação das demissões, a redução da asssitência aos desempregados, o aumento do tempo parcial de trabalho, particularmente entre as mulheres, mini-empregos mal remunerados, a degradação os serviços públicos e o deteriorar de infra-estruturas como as escolas (muitas das quais a carecerem de reabilitação), as estradas, com o risco que isso traz para passageiros e condutores, ou as pontes, sendo que em algumas os caminhões já deixaram de poder passar.

E depois os sustos e os medos são canalizados, na Alemanha, para o AfD e, na França, para a Frente Nacional… Sem dúvida que importa estar alerta, mas já os mesmos meios de comunicação estão a colocar ambos como cooperantes nas suas representações nas instituições…

Na Alemanha o AfD, de extrema-direita, cresceu nos meios rurais ou desempregados na indústria, particularmente na antiga RDA. É aí que também o Die Linke, que já era maioritário em alguns distritos, tem grande influência, mas subindo no conjunto da Alemanha. Os extremos tocam-se como alguns dizem? Não. A extrema-direita aproveita-se dos deserdados. A Esquerda recolhe o apoio dos seus, que não têm defraudado.

Quer na Alemanha quer na França, os grandes grupos econômicos e a comunicação social que domina poderão, no futuro, apostar mais na extrema-direita. E o eixo franco-alemão poderia assumir a configuração do Eixo de que todos ainda não nos esquecemos.

Entretanto, a política das leis Wartz e do pacote Macron tentará certamente ser alargada a outros países da UE pelo atual eixo. Mas, aí, estamos nós com outras forças de esquerda e movimentos sindicais para lhes fazer frente.

Ah! Quanto às eleições… a CDU desceu, o SPD foi ao tapete, o AfD subiu bem, os liberais tiveram oportunidade para falar mais alto, os Verdes ficaram ela por ela e o Die Linke subiu. Die Linke que tem sido silenciado por correspondentes e comentadores, mais centrados nas dificuldades e "virtualidades" da coligação «Jamaica» com os liberais e os Verdes, que já funciona em alguns estados.



 
Fonte: AbrilAbril

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