Mundo

25 de setembro de 2017 - 19h33

Na Assembleia da ONU, Alemanha critica nacionalismo "egoísta"

Sigmar Gabriel, ministro das Relações Exteriores da Alemanha Sigmar Gabriel, ministro das Relações Exteriores da Alemanha

Representando a Alemanha no debate anual da Assembleia Geral da ONU, o ministro das Relações Exteriores, Sigmar Gabriel, alertou na quinta-feira (21) para uma crescente onda de nacionalismo radical, que pode gerar novos conflitos no mundo. Lembrando que a cooperação internacional não equivale à perda de soberania, o dirigente criticou quem usa o lema “nosso país primeiro”.

“O egoísmo nacional não tem valor como um princípio regulatório para o nosso mundo. Porque essa visão de mundo descreve o planeta como uma arena, uma espécie de campo de batalha em que todos estão lutando contra todos os outros e no qual todos precisam afirmar seus próprios interesses, seja sozinhos, seja em alianças de conveniência”, argumentou Gabriel.

Segundo o representante do Estado alemão, essa postura tem conquistado cada vez mais espaço no cenário mundial, prejudicando o equilíbrio entre os países. “Nessa visão de mundo, prevalece a lei do mais forte, não a força da lei.”

O ministro fez um apelo por mais parceria entre os Estados-membros da ONU e lembrou que a história da Alemanha confirma os riscos de um nacionalismo desinteressado na cooperação.
“Nossa experiência histórica enquanto alemães é bem diferente: apenas depois de aprendermos, após duas terríveis guerras mundiais, a ver nossos antigos inimigos como vizinhos e parceiros, com os quais desejamos arcar com as responsabilidades para uma coexistência pacífica, apenas assim, nossos cidadãos na Alemanha conquistaram uma vida melhor”, ponderou.

Gabriel acrescentou que “o lema ‘nosso país primeiro’ não leva a mais confrontos nacionais e menos prosperidade”. “No final, só haverá perdedores”, apontou.

“Na cooperação internacional, ninguém perde soberania. Em vez disso, todos ganhamos uma nova soberania que nós não teríamos enquanto Estados-nação individuais no mundo de hoje.”

Angela Merkel venceu as eleições na Alemanha no domingo (24), contudo o partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha ganhou 12% dos votos, sendo o terceiro mais votado. O fato gerou uma onda de preocupação, já que a AfD é conhecida pelas posições xenófobas e nacionalistas.

União Europeia reforça compromissos com a prevenção de conflitos

Na terça-feira (19) presidentes e ministros europeus discursaram em favor de formas estruturadas e justas de prevenção de conflitos. As preocupações em comum foram os ataques terroristas e a ameaça do uso de armas nucleares.

Diante da maior crise migratória desde a segunda guerra mundial, os líderes pediram tratamento humano para centenas de milhares de refugiados que chegam ao continente, bem como a gestão ordenada dos fluxos de migrantes.

No segundo dia do debate de alto nível da Assembleia Geral, na quarta-feira (20), o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, ressaltou que a ONU deve aumentar o enfrentamento de muitos desafios globais, incluindo o deslocamento forçado e o terrorismo.

Tusk disse que a União Europeia (UE) continuará recebendo pessoas que precisam de proteção. Ele fez ainda um apelo à comunidade internacional para assumir a responsabilidade pela proteção dos refugiados e pela migração irregular.

“O seu envolvimento é necessário agora, tanto em termos de dinheiro para assistência humanitária como para mais reassentamento para os deslocados por conflitos na Síria, no Iêmen, em Mianmar e especialmente em toda a África”, disse ele à Assembleia.

No contexto de repetidos ataques terroristas, ele ressaltou a necessidade de um fortalecimento constante da luta global contra o extremismo violento, inclusive em um movimento contra a radicalização.

Ele reiterou o seu pedido aos líderes muçulmanos do mundo para se manterem fortes contra o extremismo islâmico, como um verdadeiro apoio na luta contra o terrorismo. “Em resumo”, o presidente disse que “devemos estar mais determinados do que eles”.

Pedido de Bangladesh pelos rohingyas

Em pronunciamento na Assembleia Geral da ONU, a primeira-ministra de Bangladesh, Sheikh Hasina, criticou na quinta-feira (21) as violações de direitos humanos enfrentados pelo povo Rohingya em Mianmar. Denunciando o que chamou de limpeza étnica na província mianmarense de Rakhine, a dirigente pediu ao chefe da ONU que crie, dentro de Mianmar, zonas supervisionadas pelas Nações Unidas, a fim de garantir a segurança dos rohingyas.

“Eu vim aqui bem depois de ver os rohingyas de Mianmar passando fome, angustiados e desamparados, que se abrigaram em Cox’s Bazar em Bangladesh”, contou Hasina, que informou que seu país já abriga mais de 800 mil integrantes desse grupo.

A crise enfrentada pelos rohingyas foi tema também do pronunciamento de abertura do debate do secretário-geral António Guterres. O dirigente máximo das Nações Unidas afirmou que as autoridades do país asiático precisam acabar com as operações militares no estado de Rakhine, permitir acesso de equipes humanitárias e resolver as queixas dessa população, que não tem status de cidadãos.

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) divulgou também na quinta-feira que, nas últimas três semanas e meia, 420 mil rohingyas deixaram Mianmar em busca de segurança no território bangladês. Segundo relatos da imprensa internacional, outros 400 mil rohingyas já viviam no país vizinho à sua nação de origem, tendo escapado de ondas mais antigas de violência e perseguição.

“Essas pessoas forçadamente deslocadas de Mianmar estão fugindo de uma ‘limpeza étnica’ em seu próprio país, onde vivem por séculos”, criticou a chefe do Estado bangladês. A primeira-ministra pediu a suspensão imediata das violações de direitos humanos e solicitou o envio de uma equipe da ONU para averiguar o que tem ocorrido no território de seu vizinho.

“Todos os civis, independentemente de religião e etnia, têm de ser protegidos em Mianmar. Para tanto, ‘zonas seguras’ poderiam ser criadas dentro de Mianmar sob supervisão da ONU”, recomendou Hasina.

Preocupação com efeitos “potencialmente desestabilizadores” de referendo curdo

O secretário-geral da ONU, António Guterres, manifestou preocupação com os efeitos “potencialmente desestabilizadores” do referendo desta segunda-feira (25) na região do Curdistão no Iraque.

“O secretário-geral respeita a soberania, a integridade territorial e a unidade do Iraque, e considera que todas as questões pendentes entre o governo federal e o governo regional do Curdistão devem ser resolvidas por meio de um diálogo estruturado e de um compromisso construtivo”, disse o porta-voz do secretário-geral, Stéphane Dujarric, em comunicado.

“O secretário-geral espera que as atividades das Nações Unidas no Iraque, incluindo na região do Curdistão, sejam autorizadas a continuar sem obstáculos.”

Na semana passada, tanto Guterres como o Conselho de Segurança manifestaram preocupação com o fato de o referendo estar marcado para ocorrer em meio a operações de combate ao Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL/Da’esh) — nas quais as forças curdas tiveram papel crucial.

O referendo também pode prejudicar os esforços para garantir o retorno seguro e voluntário de mais de 3 milhões de refugiados e pessoas internamente deslocadas, observaram.


Do Portal Vermelho, com informações da ONU Brasil 

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