Brasil

23 de setembro de 2017 - 11h09

O sentido das caravanas

Ricardo Stuckert
   

Lula é o grande condutor dessa imensa sinfonia popular, mas o povo é participante central, ocupa todos os espaços, se projeta sobre a figura do Lula, constrói os cenários, canta, grita, chora, abraça, é abraçado, emociona e se emociona.

Porque esse povo não é um conjunto de indivíduos, não é a população de uma região, não é uma soma de pessoas. Povo não é população. População é o conjunto de pessoas, os habitantes de um determinado lugar. Povo é uma categoria politica, unificada por interesses e sentimentos comuns, nesse caso, unificado pelo Lula e pelo que eles viveram das conquistas do governo Lula. É o povo do Lula, sem o qual esse povo não existiria. E é o Lula do povo, sem o qual o Lula não seria o Lula.

Porque a caravana do Nordeste não foi uma visita, foi um encontro marcado, uma explosão, uma pororoca, pela fusão de dois turbilhoes – a avalanche popular de um lado, o Lula e tudo o que ele representa para eles, de outro.

A gente olhava para aqueles abraços, já não distinguia o Lula, afogado no meio do povo, incansável em abraçar e ser abração, ser agarrado. Como ele diz, o povo que encostar nele e ele quer mais é que o povo encoste nele. Com tudo o que representa para aquele povo tocar no Lula, vê-lo, ouvi-lo, beija-lo, agarra-lo, expressar sua paixão pelo Lula.

A caravana Lula pelo nordeste foi uma construção, que deixou rastros profundos no povo do nordeste, no Lula e em todos os que tivemos o privilegio de participar. Começou como uma proposta de retomada do contato com o povo do Brasil, iniciando pelo Nordeste. Visitar as obras dos governos do PT, se reencontrar com os que são beneficiários delas, ver sua situação atual, ouvir as pessoas, falar para elas, da situação atual do pais, de como podemos dar volta na situação e deixar uma mensagem de combate ao desalento e de esperança.

No transcurso da caravana foi amadurecendo a ideia de que aquela era apenas a primeira caravana. Que o Lula tem que percorrer o Brasil todo com caravanas.

A caravana de Minas tem um significado similar àquela do Nordeste, porque ali também a Dilma ganhou e por razoes similares às da vitória no Nordeste: foram as políticas sociais dos governos do PT que ganharam o caudal enorme de apoio no interior do Estado, que vive em condições de certa forma similares a muitas regiões do Nordeste. Vai ser uma experiência distinta, mas com elementos idênticos. Porque como o próprio Lula disse, ele fez uma breve incursão em Santo Amaro, em São Paulo, e a reação do povo foi parecida com aquela do Nordeste. O que faz o Lula acreditar que em todas as outras regiões do Brasil o encontro, o cenário, a emoção, serão similares.

Mas antes Lula vai à Amazônia, visitar a Renca (Reserva Nacional de Cobre e Associados), zona com um potencial extraordinário, que o governo golpista quer entregar às transnacionais. É como se Lula fosse recolher os pedaços do Brasil a que o pais está sendo reduzido pelo plano entreguista, afirmando que o tema central hoje é o da soberania nacional. Como se o Lula prefigurasse hoje o que vai ser o seu novo governo, de reconstrução do Brasil como nação, soberana e democrática.

Lula apontou que não apenas quer percorrer o Brasil inteiro, incluindo estados como o Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, como ele quer ir a todos os espaços, discutir com o povo lá mesmo onde há resistências, dificuldades de dialogo, para romper o isolamento a que foi relegado o PT pela brutal operação midiática contra o partido.

O sentido das caravanas só ficará claro ao final do próximo ano. Começamos agora a contagem regressiva do ano que vai definir o futuro do Brasil por muito tempo. Temos que nos valer do que de melhor termos cada um de nós, multiplicar esforços e criatividade, fazer chegar o discurso do Lula aos mais amplos setores do pais, conversar, argumentar, dialogar. Fazer, como propôs o Lula, caravanas de educação, caravanas de cultura, por todo o pais. Esse ano decisivo será pautado pelas caravanas.

Ai sim, poderemos nos voltar sobre o conjunto do extraordinário processo de mobilização e conscientização popular, com o programa que esse movimento vai construindo, e ter uma visão mais acabada do sentido das caravanas na reconquista da democracia, na recuperação da esperança e na própria historia contemporânea do Brasil. 

*Emir Sader é um dos principais sociólogos e cientistas políticos brasileiros




Fonte: Brasil 247

  • VOLTAR
  • IMPRIMIR
  • ENCAMINHAR

Últimas Mais