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20 de setembro de 2017 - 19h00

Discussão sobre armas nucleares gera isolamento de Trump na ONU


   
Na cerimônia para marcar a abertura do documento a compromissos de cada nação, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, lembrou que existem 15 mil armas nucleares espalhadas pelo mundo.

“Não podemos permitir que essas armas apocalípticas coloquem em perigo o futuro do nosso mundo e de nossas crianças”, ressaltou o chefe do organismo internacional. “Os sobreviventes heroicos de Hiroshima e Nagasaki, os Hibakusha, continuam a nos lembrar das consequências humanitárias devastadores das armas nucleares. Seu testemunho nos deu um comovente ímpeto moral para a negociação desse tratado” declarou, remetendo a quando os EUA lançaram duas bombas sobre o Japão no final da Segunda Guerra Mundial, sob o pretexto que os japoneses não haviam se rendido, quando o real intuito era testar o poder das bombas e reafirmar seu poder para os outros países.
O tratado foi adotado em 7 de julho desse ano, durante uma conferência em Nova Iorque. O documento proíbe uma ampla gama de atividades associadas aos armamentos nucleares, tais como desenvolvimento, testagem, produção, aquisição, posse ou estocagem de armas ou outros dispositivos explosivos, bem como o uso e a ameaça de uso de tais armas.

O Michel Temer foi o primeiro a assinar o tratado nesta quarta-feira. Representantes de outros 40 países também assinaram o documento, que deve ser subscrito por mais chefes de Estado e ministros até o final do dia.

Para entrar em vigor, o acordo precisa ser ratificado por pelo menos 50 países. Hoje, o Vaticano e a Tailândia não só assinaram, como também ratificaram o documento.

As negociações que antecederam a aprovação do tratado em julho não tiveram a participação da maioria dos países com arsenais nucleares — nem de seus aliados. Há pouco mais de dois meses, após a conclusão do texto final, os Estados Unidas, o Reino Unido e a França emitiram um comunicado conjunto em que afirmavam “não ter intenção de assinar, ratificar ou jamais se tornar uma parte” do documento.

As acusações de Trump ao Irã

Trump vem ameaçando a saída dos Estados Unidos do Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA), o acordo nuclear com o Irã. O documento prevê que o país do oriente médio elimine suas reservas de urânio enriquecido e não construa usinas especializadas em energia nuclear por 15 anos. A Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) possui acesso regular às usinas nucleares iranianas, monitorando as atividades energéticas do país; em troca, os EUA diminuem as sanções feitas contra o Irã.

Sobre o discurso de Trump na Assembleia Geral das Nações Unidas, Nikki Haley, a representante permanente dos EUA na ONU sugeriu que “não é um sinal claro de que ele planeja se retirar. É um sinal claro de que ele não está feliz com o acordo". Segundo ela, Trump acredita firmemente no fato do Irã estar violando o acordo ao realizar testes de mísseis balísticos e ao apoiar organizações terroristas; contudo, há um forte interesse norte-americano no Oriente Médio, devido as jazidas de petróleo. O alcance e a influência dos EUA na região estariam ameaçados pelo Irã, que historicamente se opõe à diversas operações e atitudes norte-americanas, consideradas imperialistas.

O diplomata iraniano Javad Zarif acusou Washington de apoiar "regimes tiranos" na região e de ser um"país sionista criminoso" depois de Trump, em seu discurso de 40 minutos na ONU criticado por diversos líderes mundiais, ter chamado o país oriental de "Estado vilão empobrecido e líder em exportar violência, derramamento de sangue e caos que mata muçulmanos inocentes e ataca os seus vizinhos árabes e israelenses pacíficos".

O presidente iraniano, Hassan Rouhani, disse, nesta quarta-feira (20), que o país não será intimidado por ameaças, ao mesmo tempo que prometeu continuar no tratado. "Eu declaro diante de vocês que a República Islâmica do Irã não será o primeiro país a violar o acordo", disse Rouhani, durante pronunciamento na Assembleia-Geral da ONU; além disso, afirmou que as palavras de Trump foram “ignorantes e absurdas”.

Os Estados Unidos e o Irã terão sua reunião de mais alto nível desde o início do mandato de Trump. Frente a sinais de que o republicano poderia retirar seu país do acordo nuclear já no mês que vêm, o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, e o ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, participarão de um encontro da União Europeia a portas fechadas sobre o tratado.

Quando perguntado se ele tomou uma decisão final sobre o acordo do Irã, Trump disse: "Eu decidi", mas se recusou a anunciar a decisão tomada.

O isolamento de Trump

A maioria dos líderes mundiais adotaram um discurso anti-trump, criticando duramente o discurso do presidente norte-americano quanto a Coreia Popular e ao tratado nuclear com o Irã. A exceção foi o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

A ministra das Relações Exteriores da Suécia, Margot Wallstrom, descreveu a intervenção de Donald Trump como "o discurso errado, na hora errada e para o público errado". O presidente venezuelano Nicolás Maduro, também atacado por Trump, respondeu referindo-se ao discurso como "agressão do novo Hitler da política internacional […] contra as pessoas da Venezuela".

Emmanuel Macron, presidente francês, afirmou que seria “irresponsável” não respeitar o que foi combinado pelas partes no tratado de JCPOA. “É um acordo útil e essencial à paz. Pô-lo em causa seria entrar numa espiral infernal. É uma responsabilidade do Irã e dos EUA mantê-lo, não destruir o que está feito”, declarou. Macron ainda disse que “a França recusará toda a escalada e não fechará a porta ao diálogo”, referindo-se à posição agressiva tomada por Trump em seu discurso quanto a Coreia Popular, em que ameaçou “destruir completamente” o país. A chanceler alemã Angela Merkel também se opôs ao presidente norte-americano, afirmando que “há uma clara discordância com o presidente dos Estados Unidos", e voltou a apostar em uma saída diplomática ao conflito.


Do Portal Vermelho, com agências 

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