América Latina

18 de setembro de 2017 - 17h22

As motivações e as polêmicas por trás da visita de Netanyahu

   

Terminou na última sexta-feira (18) a passagem do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu pela América Latina. Foi a primeira vez que um premiê de Israel fez uma visita oficial à região; Argentina, Colômbia e México fizeram parte da rota.

O Brasil foi excluído da agenda, apesar de ser o maior parceiro econômico de Israel do território latino-americano, movimentando 903 milhões de dólares, segundo levantamento feito pela BBC. Os dados ainda revelam que em seguida está o México, com 543 milhões e depois a Argentina, com 259 milhões de dólares.

Evitar o Brasil gerou polêmica. Em declarações para a BBC e à Folha de São Paulo, o embaixador de Israel no Brasil Yossi Shelley, indicado pelo primeiro-ministro para o cargo, diz que a decisão foi tomada devido à incerteza da permanência de Temer no governo após o 2 de agosto, dia em que aconteceria a votação no Congresso referente a denúncia de corrupção passiva contra o presidente.

"No momento em que foi decidido que ele visitaria a América Latina, a agenda política no Brasil era diferente e, quando as coisas se estabilizaram no Brasil, não havia mais tempo para coordenar segurança e a assinatura desses acordos internacionais", declarou o embaixador Shelley, que ainda afirmou para a BBC que "ao que tudo indica, o primeiro-ministro vai se encontrar com o presidente do Brasil na Assembleia-Geral da ONU. Tenho certeza de que haverá um encontro em breve", referindo-se ao encontro que iniciará na terça-feira (19) e irá até o sábado (23).

A polêmica declaração e a proximidade com os EUA

Reunido com o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, na quarta-feira (13), em Bogotá, capital da Colômbia, Benjamin Netanyahu afirmou que “os laços terroristas do Irã estão por toda parte, incluindo a América Latina, e acreditamos que todos os países deveriam se unir, assim como Israel está colaborando com os países árabes, para evitar que a agressão e o terror se expandam”, segundo a reportagem da Epoch Times

Segundo ele, a Colômbia já sentiu a ameaça do terrorismo, mas advertiu para o perigo do terrorismo islâmico, que teria duas principais fontes: o Estado Islâmico e o Irã.

Nessa segunda-feira (18) a chancelaria iraniana emitiu uma nota na qual condenou as sanções dos Estados Unidos, maior aliado de Israel, contra os cidadãos e entidades do país, afirmando que o governo Trump é iranofóbico.

Segundo reportagem da Prensa Latina, o porta-voz do Irã, Bahram Qasemi, declarou que são incorretas e infundadas as acusações contra cidadãos iraquianos pelo suposto delito de cometer ciberataques. “A medida do Governo estadounidense é contrária a todos os princípios jurídicos e internacionais reconhecidos”, afirmou Qasemi.

O Departamento do Tesouro norte-americano congelou bens e interesses de entidades e pessoas iranianas e proibiu também os cidadãos estadounidenses de comercializar com essas instituições.

As intenções com a Colômbia, Argentina e o México

Israel está confiante de que poderá incrementar suas relações comerciais com a Argentina graças ao novo clima de entendimento gerado após a eleição do presidente Mauricio Macri, que propõe um plano econômico fortemente neoliberal. No encontro com o presidente argentino prevaleceu o fortalecimento dos laços diplomáticos e a aproximação com a comunidade judaica do país, a maior da América Latina.

Na Colômbia foram assinados dois acordos entre os dois países, um referindo-se as ciências e tecnologias e outro de incentivo ao turismo. Atualmente há uma centena de empresas israelenses operando no mercado colombiano, segundo o jornal espanhol El País.

O México, além de ser o segundo maior responsável pelo comércio com Israel, tem a segunda maior comunidade judaica latino-americana. A visita foi uma tentativa de reconciliar e estreitar laços com o país após um polêmico tweet de Netanyahu, posicionando-se a favor do muro que o presidente norte-americano Donald Trump quer construir na fronteira dos EUA com o México.

Os motivos e os interesses da visita

Apesar do comércio, a real intenção de Benjamin Netanyahu ao visitar a América Latina foi a de obter apoio político e melhorar sua imagem, desgastada devido a investigações a respeito de corrupção, e a imagem de Israel, manchada pela expansão dos assentamentos e pela suspensão do diálogo com os palestinos.

Entre os dias 13 e 15 de setembro, a Procuradoria de Israel apontou que deverá indiciar a esposa de Netanyahu, Sara, por corrupção e fraude. Em meio a um cenário interno de turbulência, ele tentou buscar apoio e acordos vantajosos ao país no exterior.

Segundo o El País, Netanyahu declarou em discurso recente no Ministério das Relações Exteriores que estaria “estreitando os laços com a América Latina. É um grande mercado, um importante bloco de países. Não há dúvida de que um acordo com os palestinos pode ajudar o mundo a se abrir para nós; mas o mundo já está se abrindo apesar disso”. E ainda completou: “esta visita é a continuação do fortalecimento da posição internacional de Israel”.

Além disso, o primeiro-ministro procura obter mais votos a favor de Israel em fóruns internacionais como a ONU. A ideia ainda seria reafirmar que o país tem apoio internacional, ao contrário do que denunciam os opositores.

Em entrevista para a BBC, Raanan Rein, vice-presidente da Universidade de Tel Aviv e especialista em América Latina afirmou que a visita de Netanyahu nos países latino-americanos “este é realmente um momento político confortável para Israel, com Macri na Argentina e Temer no Brasil."


* estagiária no Portal Vermelho 

Do Portal Vermelho 

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