Brasil

13 de setembro de 2017 - 13h06

Euforia estranha da Bolsa: É bom botar as barbas de molho


   
A inflação está caindo, é verdade, numa brutal recessão com 13 milhões de desempregados é natural que os preços recuem. Com a inflação caindo e os juros reais subindo, é natural também que o governo reduza os juros em alguma medida.

O investimento público sofre uma brutal retração. A reforma da previdência sonhada pelo mercado está cada vez mais distante. O ministro do planejamento declara à imprensa que podemos não conseguir pagar nossos pensionistas e aposentados em breve.

Pode ser que tenhamos um crescimento de 0.5% do PIB este ano, é verdade, puxados principalmente pela super safra no campo, mas depois de anos seguidos de retrações que nos fizeram despencar cerca de 10%, ainda é um número que está longe de ensejar euforia.

O mercado de trabalho está longe de reagir e o endividamento das famílias continua alto, apontando que a retomada do consumo não está logo ali na esquina. O crescimento da poupança indica muito mais redução do consumo com medo do futuro do que qualquer outra coisa.

O governo federal ainda não sabe como fechar a nova meta fiscal, já majorada em 20 bilhões, um déficit significativo. O Brasil está "barato", mas é suficiente para justificar tamanha euforia? As concessões tão propagadas continuam emperradas na burocracia e na instabilidade política. As privatizações idem. Aliás, instabilidade política que está longe de acabar e que apresenta novos capítulos toda semana.

Com este cenário, de onde vem esta euforia toda da Bolsa? Lembremos de uma regra básica, científica, comprovada. Toda vez que a esquerda toma um tiro, ou que Lula sofre algum revés, qual o movimento da Bolsa? Sobe, obviamente.

Os números, os fatos e a conjuntura política não sustentam a euforia e o recorde da Bovespa. Como adepto da Teoria da Conspiração, sou obrigado a pensar: o que estaria por trás de tamanha euforia? Teria o mercado informações privilegiadas de futuros desdobramentos políticos? É bom botar as barbas de molho, o mercado não costuma brincar, e jabuti não sobe em árvore.

* Jornalista e Secretário Chefe da Representação do Governo do Maranhão no DF


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