Cultura

8 de setembro de 2017 - 9h00

Descobertas sexuais, homofobia e machismo viram poesia em 'Heartstone'

   

O fim da adolescência de Thor (Baldur Einarsson) e Christian (Blær Hinriksson) coincide com a chegada do rigoroso inverno islandês no vilarejo de pescadores onde moram. A descoberta da sexualidade e toda a excitação deste período se dão numa estação amena e iluminada, mas o frio e o cinza chegam ao mesmo tempo que os conflitos e a dureza da vida adulta. O primeiro longa-metragem de Gudmundur Arnar Gudmundsson, Heartstone, que estreia nesta quinta-feira (30) no Circuito Sesc de Cinema, é poesia do início ao fim: da história cativante dos dois adolescentes, atuações e fotografia ao cenário campestre da Islândia, a obra mantém o espectador conectado durante as quase 2h10 de filme.

As brincadeiras da infância, as briguinhas entre meninos, o uso de uma certa violência para provar masculinidade, as pescarias e a paquera, apesar da tensão sempre presente, até então tudo é leve na vida de Thor e Christian. O primeiro não vê a hora que seu corpo deixe de ser infantil e sonha com o dia que conseguirá conquistar Beth (Diljá Valsdóttir). Quando o que parecia impossível finalmente acontece, Christian põe em dúvida a natureza do sentimento que nutre por seu melhor amigo.

A trama é baseada na vida do próprio diretor. "Heartstone é uma história pessoal baseada na minha experiência de crescer em uma pequena vila de pescadores. O núcleo do filme é a forte e bonita amizade entre dois garotos e como seu ambiente e seus conflitos internos os afastam antes que o vínculo que compartilham os una novamente", afirma Gudmundur. "O vilarejo era um ambiente cheio de contrastes, onde o sol brilhava sem cessar durante o verão e quase não nascia no inverno. Um lugar onde as mesmas coisas que você amava te libertavam e aprisionavam. Um lugar onde as crianças podiam lidar com animais e descobrir como a natureza e as pessoas podem ser incrivelmente lindas e cruéis".

E esta crueldade não está apenas no bullying, no preconceito e na homofobia que os dois garotos sofrem, mas na maneira que a sociedade funciona: Beth é xingada de vadia por todos os outros garotos, assim como a mãe de Thor, que, separada, não tem um parceiro fixo. Naquela cidade, os olhares condenam tanto quanto tribunais e os julgamentos marcam a vida das pessoas muitas vezes de forma irremediável. Ali, como na maioria dos lugares, o amor vale bem menos que as aparências e é preciso ter um coração de pedra (daí o título) para esconder os sentimentos que não condizem exatamente com as normais sociais impostas.

Heartstone
Direção e roteiro: Gudmundur Arnar Gudmundsson
Fotografia: Sturla Brandth Grøvlen
Montagem: Anne Østerud e Janus Billeskov Jansen
Música: Kristian Selin Eidnes Andersen
Elenco: Baldur Einarsson, Blær Hinriksson, Diljá Valsdóttir e Katla Njalddottir
Produtores: Anton Máni Svansson, Lise Orheim Stender, Jesper Morthorst e Gudmundur Arnar Gudmundsson
Produção: SF Studios Production & Join Motion Pictures
Países: Islândia/Dinamarca
Duração: 129 minutos
Classificação: 12 anos

Confira o trailer do filme abaixo: 



Fonte: Carta Maior 

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