Brasil

1 de setembro de 2017 - 18h42

Jandira Feghali: Precisamos nos indignar mais


Foto: Reprodução/Flickr
   
A vontade de entregar à exploração massiva 4 milhões de hectares de florestas, um território maior que a Dinamarca, fez com que a sociedade reagisse à altura, com expressiva participação de artistas, diversos outros formadores de opinião, partidos, nas redes e nas ruas para mobilizar instituições judiciais.

Foi o que ocorreu com o juiz da 21ª Vara Federal, de Brasília, que suspendeu o decreto 9.142 com liminar parcial sobre uma ação popular. A verdade é que com essa vitória, Temer foi à lona e ampliou sua repulsa em diversos setores da população.

Não é coincidência que, completado 1 ano de consolidação da ruptura democrática, a agenda privatista de Temer tenha despertado tamanho ódio no povo. Com popularidade próxima de zero e denúncias surgindo a todo momento sobre conduta antirrepublicana e corrupção, Temer é um cadáver no poder governando num balcão de negócios, isentando grandes empresários e banqueiros, para se safar da degola.

Também nesta semana, os partidos de oposição obstruíram a votação da sessão do Congresso Nacional e tiveram vitória importante para impedir o aumento do déficit fiscal do Governo de R$ 129 para R$ 159 bilhões. Numa sessão levada até a madrugada pela obstrução oposicionista, deputados e senadores da base aliada ausentaram-se e não garantiram a conclusão da votação nem defenderam a meta fiscal de Temer. Alguns tiveram que “ser arrastados” até o Parlamento após já estarem de pijama em suas casas. O presidente zumbi fora derrotado mais uma vez.

Ampliar o rombo no país e vende-lo a preço de banana é uma vergonha mundial. A mesma mobilização que coube à sociedade para impedir a extinção da RENCA por Temer, também deve ser feita contra a continuidade de seu governo. É preciso a mesma mobilização para o restante da encomenda maldita que corre na esteira neoliberal: a venda da Casa da Moeda, de estatais estratégicas como a Eletrobras e a Petrobras, além de terras brasileiras, e as mortais reformas que cortam direitos dos trabalhadores (trabalhista e previdenciária).

Que a sociedade possa ter a mesma capacidade de indignação da extinção de parte da Amazônia com o projeto de desmonte do Estado brasileiro e seu patrimônio histórico. As consequências serão drásticas. O golpe é revelado diariamente, à luz do dia, como um mal a ser superado urgentemente. Assistir a isso tudo passivamente não é nossa prática. Que o povo vá às ruas e o Parlamento aspire o sentimento de revolta que toma conta deste país a cada denúncia, fazendo cumprir seu papel quando chegar a hora.


*Jandir Feghali é médica, deputada federal (PCdoB/RJ) e vice-líder da oposição na Câmara

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