Brasil

25 de agosto de 2017 - 16h41

 Os novos primatas


 Almir Forte*

A nossa querida jornalista e escritora Célia Ferreira, em seu artigo da semana passada, com a lucidez que lhe é própria, retratou toda a miséria humana em uma única frase, ao expressar como se fosse um lamento: “(…) realmente estamos retornando à idade das trevas, e parece inevitável que a escuridão nos engula em pouco tempo”.


Realmente vivemos tempos instáveis, voláteis, enclausurados em nossa falta de confiança para sorrir, para acreditar que no século atual, aquele belo futuro descrito pelos brilhantes ficcionistas, alguns transformados em grandes filmes, que trouxeram um sonho de paz e esperança para a humanidade está cada vez mais distante.


Na Europa e nos USA o terrorismo mata centenas de inocentes, enquanto as grandes potências respondem com ataques militares e aproveitam para saquear as riquezas dos países acusados de abrigar os terroristas. E agora, quem invadirá os USA após o ataque terrorista ao grupo contrário a uma manifestação de neofascistas, membros da Ku Klux Klan e da supremacia branca em Charlottesville, no Estado norte-americano da Virgínia?
Enquanto isso, no Brasil continua a matança de jovens negros e pobres nas favelas das grandes cidades, o aumento do feminicídio e os ataques homofóbicos se multiplicam, a xenofobia e a intolerância já não são mais surpresas para um país, que desde a sua formação, primou pela solidariedade e acolhimento a todos os imigrantes que em muito contribuíram para a formação de nosso povo.


O século XXI trouxe as redes sociais que revolucionou a forma de comunicações, que aos poucos se transformaram em um território livre e fértil a todo tipo de manifestação, desde a mais sincera declaração de amor, de amizade, de simpatias, de elogios ou de belas fotos retratando momentos de amizade, de alegria ou de tristeza. 


Com isso, trouxe também a restauração do estilo “velho oeste americano”, retratado nas telas do cinema, onde a lei do mais forte prevalece, o respeito dá lugar ao desrespeito, o ódio predomina como forma de vida contrária a toda e qualquer diversidade, pois devido a falta de argumentos para combater a realidade, partem para agressão ao estilo neofascista.


E assim, as futuras gerações estarão diante de um grande dilema, pois certamente terão que conviver com o medo de uma grande parcela da humanidade, que não entendeu o sentido e a importância da evolução social e se comportam como os primatas de nossos ancestrais, tão perfeitamente representados naquela famosa cena do grande clássico intitulado 2001 – Uma Odisseia no Espaço, de Stanley Kublick,


E esses primatas que semeiam ódio, não restará muito que possam passar aos seus descendentes, pois, reproduzirão no dia a dia mais filhos do ódio e do preconceito, que ao se perpetuarem, sem serem combatidos, condenarão a humanidade ao mais trágico fim, reproduzindo dessa forma a grande, famosa e temida besta do apocalipse.



 *Almir Forte é servidor público federal, vice-presidente do Comitê Municipal de Cachoeiro e ex-vereador por três mandatos.

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