Trump: esquerda 'atacou violentamente' supremacistas brancos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a afirmar nesta terça-feira (15) que a violência nas manifestações de neonazistas e supremacistas brancos em Charlottesville, no Estado da Virgínia, no último sábado (12), foi culpa “dos dois lados”, em referência aos ativistas antifascistas que enfrentaram os ultradireitistas.

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"Houve um grupo de um lado que foi mal e houve um grupo do outro lado que também foi muito violento", disse Trump durante uma entrevista coletiva em Nova York.

Segundo o presidente, os manifestantes de esquerda “atacaram violentamente” os supremacistas brancos. “Há outro lado [na história]. Havia um grupo de um lado, você pode chamá-los de esquerda, que atacou violentamente o outro grupo. Pode dizer o que quiser. Foi isso que aconteceu”, disse a uma jornalista.

Trump foi muito criticado por políticos republicanos e democratas por ter responsabilizado inicialmente “muitas partes” pelo “ódio e fanatismo” vistos em Charlottesville. Somente nesta segunda-feira (14/08) ele condenou explicitamente a Ku Klux Klan (KKK), os neonazistas e os supremacistas brancos presentes na manifestação.

No entanto, nesta terça-feira, o presidente norte-americano defendeu sua resposta inicial ao ocorrido no Estado da Virgínia no fim de semana.

"Antes de fazer uma declaração, preciso dos fatos", ressaltou Trump, explicando que, quando fez seus primeiros comentários, não sabia, por exemplo, que o histórico líder da KKK, David Duke, estava presente na marcha.

Duke elogiou Trump por suas declarações nesta tarde. “Obrigado, presidente Trump, por sua honestidade e coragem de dizer a verdade sobre Charlottesville e condenar os terroristas de esquerda do [movimento] Black Lives Matter e os antifascistas”, escreveu o ex-líder da KKK em seu perfil no Twitter.

Trump também voltou a suscitar críticas de republicanos e democratas por suas declarações sobre as manifestações neonazistas e antifascistas de sábado. “Culpar ‘os dois lados’ por Charlottesville?! Não. Voltar ao relativismo quando se trata da KKK, de simpatizantes do nazismo, supremacistas brancos? Não mesmo”, escreveu a deputada republicana Ileana Ros-Lehtinen, da Flórida.

Trump também falou sobre James Alex Fields Jr., um homem branco de 20 anos que avançou com seu carro sobre manifestantes que protestavam contra os supremacistas brancos, matando uma pessoa, Heather Heyer, de 32 anos, e deixando outras 20 feridas.

Fields, que está preso e responde à acusação de assassinato, é “uma desgraça para ele mesmo, para sua família e seu país. Pode chamar de terrorismo, pode chamar de assassinato, pode chamar do que quiser”, afirmou o presidente dos EUA a jornalistas.

Trump também insistiu que nem todos os presentes no protesto eram neonazistas ou supremacistas brancos.

"Condenei os neonazistas, condenei muitos grupos. Mas nem todas essas pessoas eram neonazistas, acreditem. Nem todas essas pessoas eram supremacistas brancos, absolutamente", ressaltou Trump.

"Muita gente também estava ali para protestar contra a retirada de uma estátua de Robert E. Lee. Esta semana é Robert E. Lee. (…) Me pergunto, na semana que vem será George Washington? Thomas Jefferson na seguinte?", questionou o presidente.

A marcha "Unite the Right" (Unir a Direita), que terminou em confrontos no último fim de semana em Charlottesville, foi convocada em protesto contra a decisão de remover uma estátua de Lee, um general confederado considerado um símbolo da defesa da escravidão e do racismo.