Brasil

12 de agosto de 2017 - 16h01

Agosto, mês sinistro para presidentes do Brasil

Divulgação
Embarque do corpo de Getúlio Vargas para São Borja, no Rio Grande do Sul Embarque do corpo de Getúlio Vargas para São Borja, no Rio Grande do Sul

Com um disparo certeiro no coração, Getúlio agonizava no momento em que sua filha e assessora Alzira entrou no quarto, no terceiro andar do palácio. Poucos minutos depois, Getúlio morreu. No auge de uma crise política sem precedentes, ele preferiu se matar a renunciar, como queriam as Forças Armadas. Anunciada pelas emissoras de rádio, a morte abalou o país.

Não demorou para uma multidão ocupar as imediações do palácio, em homenagem ao presidente que tinha modernizado o Brasil e ganhado fama como “pai dos pobres”. Ao mesmo tempo, redações de jornais e emissoras que faziam campanha contra ele foram atacadas. E mais: com o suicídio de Getúlio, o golpe militar em andamento acabou adiado.

Sete anos depois, na sexta-feira 25 de agosto de 1961, o presidente Jânio Quadros surpreendeu meio mundo ao despachar para o Congresso Nacional uma carta de renúncia, afirmando que “forças terríveis” haviam se levantado contra ele. Até hoje suspeita-se que Jânio esperava grande reação à sua renúncia para voltar ao poder mais forte, aclamado pelo povo.

Juscelino Kubitschek, que presidiu o Brasil depois de Getúlio e antes de Jânio, morreu no domingo 22 de agosto de 1976, em acidente de carro na rodovia Dutra, entre São Paulo e Rio de Janeiro. Ao volante do Opala ocupado por Juscelino estava Geraldo Ribeiro, seu motorista havia 36 anos. Os dois morreram na hora. Há dúvidas sobre a causa do acidente.

A suspeita de que o desastre teria sido provocado deve-se ao fato de Juscelino estar na mira dos militares que tomaram o poder em 1964. Defensor da redemocratização, o ex-presidente era monitorado por agentes de segurança. Eram tempos da Operação Condor, a aliança clandestina das ditaduras militares do Cone Sul para monitorar e eliminar seus adversários.

Trinta e um anos depois da redemocratização, Dilma Rousseff foi afastada do Palácio do Planalto na quarta-feira 31 de agosto de 2016, depois de uma nova modalidade de golpe, desfechado pelo Congresso Nacional. A arquitetura desse golpe parlamentar envolveu um processo de impeachment, aprovado no Senado por 61 votos contra 20.

Agosto é trágico até para candidatos a presidente e ditadores. O presidenciável Eduardo Campos morreu na quinta-feira 13 de agosto de 2014, em plena campanha eleitoral, em um acidente aéreo. Já o general-ditador Artur da Costa e Silva sofreu uma trombose no domingo 31 de agosto de 1969. Afastado do poder, foi substituído por uma junta militar que entrou para a história como Os Três Patetas.


Fonte: Brasileiros

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