Brasil

11 de agosto de 2017 - 14h03

Aldo Arantes: A UNE e as lutas do povo brasileiro


Acervo
De terno, o presidente da UNE, Aldo Arantes, participa de reunião do projeto UNE Volante, na década de 1960 De terno, o presidente da UNE, Aldo Arantes, participa de reunião do projeto UNE Volante, na década de 1960
Contra a escravidão, na Campanha Civilista de Rui Barbosa e nas mobilizações para que o Brasil se incorporasse às forças contrárias ao nazi-fascismo, na Segunda Guerra Mundial.
Com sua organização a UNE colocou como um de seus objetivos centrais a defesa da democracia. Lutou contra o Estado Novo e pela retorno à democracia. Se incorporou à luta pela legalidade quando, em 1961, o Governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, desencadeou a luta pela legalidade.

Na época a UNE transferiu, simbolicamente, sua sede para o Rio Grande do Sul. Mobilizou os estudantes, pela Rede da Legalidade, para apoiarem a luta contra o golpe e pela posse do vice-presidente.

Com sua posse, o Presidente João Goulart visitou a sede da UNE para agradecer à entidade por seu desempenho na Crise da Legalidade.

Após o golpe militar, na ilegalidade, a UNE liderou importantes manifestação contra o regime. Esteve à frente da Passeata dos Cem Mil para protestar contra o assassinato do estudante secundarista Edson Luiz, no Rio de Janeiro. Na clandestinidade continuou a luta contra a ditadura e as prisões, torturas e assassinatos de democratas e nacionalistas. Papel destacado teve na luta pela Anistia Ampla, Geral e Irrestrita e contra os atos de exceção.

Fruto destas lutas os estudantes e seus dirigentes passaram a ser alvos privilegiados da repressão. Inúmeros foram presos, torturados e assassinados. Honestino Guimarães, ex-presidente da UNE, foi assassinado e continua como desaparecido político.

A luta pelas Diretas Já contou com intensa participação dos estudantes e da UNE. Os Caras Pintadas, liderados pela UNE, tiveram papel decisivo no impeachment do ex-presidente Collor.

Em 2016 a UNE se mobilizou contra o golpe institucional-parlamentar que afastou a Presidenta Dilma, sem crime de responsabilidade. Atualmente participa da luta contra as reformas antipopulares e antinacionais do ilegítimo Governo Temer e por Eleições Diretas Já.

A defesa da educação pública e da Reforma Universitária é outra importante marca da UNE. No passado lutou-se por tais objetivos. Atualmente a entidade dá continuidade a estas lutas e se manifesta contra os cortes de verbas das Universidade Federais e contra as tentativas de sua privatização.

Em 1962, durante a UNE Volante, caravana da entidade que percorreu quase todas capitais do país, o Centro Popular de Cultura da UNE se consolidou contribuindo, através da arte, com a politização e incorporação de milhares de estudantes à luta pela Reforma Universitária e contra o imperialismo. O CPC com sua arte engajada, foi uma experiência que contribuiu com a politização dos estudantes e marcou a cultura brasileira através do teatro, da música e do cinema.

Durante a ditadura militar foi desencadeada uma campanha de despolitização da juventude. Diziam que o dever dos estudantes era estudar e não fazer política.

Hoje em dia, sob outra roupagem, tenta-se o mesmo objetivo. Para isto estimula-se o individualismo e a ideia de que o estudante deve se preocupar, exclusivamente, com sua capacitação profissional, para o mercado, abandonando qualquer atividade política.

A chamada “escola sem partido”, visa aprofundar a despolitização da juventude brasileira. Trata-se de um modelo de escola onde não haja debates. Onde não seja despertada a visão crítica da realidade, que traga à luz as consequências do neoliberalismo para o povo brasileiro.

Para isto a grande mídia desencadeou uma ofensiva de negação da política, dos políticos e dos partidos. Esta campanha visa enfraquecer a democracia.

Visa retirar dos estudantes seu sentido crítico, polêmico, transformador e rebelde e, com isto, desmobilizá-los. Querem uma juventude robotizada, acrítica e que incorpore os objetivos do mercado.

Todavia a UNE e importantes segmentos do movimento estudantil mantiveram a tradição de luta dos estudantes. Mas, apesar disto, a direita conquistou a hegemonia política e de ideias junto a amplos segmentos da sociedade e dos estudantes.

Assim, a reconquista da hegemonia política e de ideias é essencial para uma ampla mobilização dos estudantes e do povo. Torna-se necessário incorporar à luta amplas milhares de estudantes.

Não só os segmentos politizados mas aqueles que foram conquistados pelo falso discurso moralista. Para isto, é necessário combater a despolitização das massas e estimular a crítica social e política.

As polêmicas sempre foram um fator de atração da juventude. Debates em torno dos temas mais candentes, em cada momento, a luta de ideias contra a despolitização e o individualismo, a realização de juris simulados podem ser importantes caminhos para incorporar amplos segmentos à luta.

O Brasil está diante de um momento crucial de sua história. Formou-se uma grande aliança de forças entre os empresários, sobretudo os ligados ao setor financeiro, a grande mídia e os políticos conservadores e de direita para implementar o golpe e impor as reformas de interesse do neoliberalismo.

Cabe às organizações de esquerda e ao povo brasileiro construir uma ampla aliança de forças capaz de conter a onda conservadora e reconquistar a democracia para avançarmos nas reformas estruturais que o país necessita. Neste esforço a UNE tem um importante papel a jogar.

Tenho confiança de que a União Nacional dos Estudantes, junto a outras forças, continuará dando sua contribuição para atingirmos este objetivo e retomarmos o caminho civilizatório em que o Brasil havia ingressado.



*Aldo Arantes foi presidente da UNE 1961/62, autor da Lei que legalizou a entidade.

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