9 de agosto de 2017 - 16h59

"É preciso evitar que a Hemobrás morra por inanição", diz Luciana 


Divulgação
Luciana: Essa proposta é uma coisa insana, sem nenhuma justificativa para acontecer"  Luciana: Essa proposta é uma coisa insana, sem nenhuma justificativa para acontecer" 
Texto atualizado no dia 10/08/2017.

Os deputados federais pelo estado lutam contra a proposta do ministro de transferir a fabricação do fator VII recombinante para fábrica a ser construída em Maringá (PR), base eleitoral de Barros. Se efetivada a transferência, a empresa pernambucana corre o risco de perder força de produção, pois o fator recombinante é o produto de maior valor agregado previsto para a fábrica de Goiana, Mata Norte de Pernambuco.

Para a deputada federal e presidenta nacional do PCdoB Luciana Santos, “retirar a produção do fator VIII recombinante seria matar a Hemobrás por inanição”. “Esta é uma manobra. O ministro vai dizer que não quer acabar, vai dizer que está ampliando. Mas, é uma pegadinha porque quando você coloca a produção em outra cidade, você, simplesmente, matou a produção que tem aqui. A gente precisa defender o investimento que já foi feito. Essa proposta é uma coisa insana, sem nenhuma justificativa para acontecer. Nesse debate estamos falando da joia da coroa”, criticou.

Em entrevista à Rádio Jornal nesta quarta-feira (9), o ministro da Saúde afirmou que “o que há em Goiana são apenas esqueletos”, se referindo aos problemas na implantação da empresa pernambucana. Na segunda-feira passada, em entrevista ao Jornal do Commercio, Ricardo Barros foi enfático: “Se Pernambuco não aceitar nossa proposta, não tem problema. A Hemobrás encontra uma forma de terminar a fábrica. Está se discutindo um problema que não existe. A solução está colocada”.



Os fatos

O fator VIII recombinante é distribuído pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para o tratamento de hemofílicos. Atualmente, uma Parceria para Desenvolvimento Produtivo (PDP) da Hemobrás com a empresa francesa Shire prevê a compra do hemoderivado pela empresa pernambucana, bem como a transferência de tecnologia pela empresa francesa até 2023. O contrato venceria em outubro deste ano, mas o Ministério da Saúde rompeu unilateralmente a parceria, antes do prazo acordado, sob a alegação de que a empresa não transferirá a tecnologia.

O desejo de Ricardo Barros é firmar contrato com a empresa suíça Octapharma e o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), que propõem investir US$ 200 milhões para construir uma nova fábrica no Paraná, com o objetivo de produzir o fator VIII recombinante. “Já Pernambuco receberia US$ 250 milhões para finalizar a planta de plasmáticos, produtos que não geram lucro”, afirma o procurador do Ministério Público Federal junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), Marinus Marsico.

A atuação do procurador no caso se deve à provocação da bancada federal do estado, diante do impasse sobre a continuidade da transferência de tecnologia para a Hemobras. O MPF, por sua vez, entrou com representação junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) na qual é solicitada medida cautelar visando à continuidade do contrato rescindido unilateralmente pelo ministro Ricardo Barros, bem como à apuração de possíveis atos ilegais e antieconômicos na opção do Ministério da Saúde.

“O problema da Hemobrás é que, nos anos anteriores, a União não cumpriu com os compromissos de implantação da fábrica. Quem causou o atraso foi o próprio Ministério da Saúde. Não cumpriu com requisitos de compra de remédio e não repassou dinheiro suficiente quando houve a variação cambial. Hoje, tem dívida de US$ 175 milhões com a Shire, excluindo juros e mora”, aponta o procurador Marsico.

Audicéa Rodrigues, com informações do Blog de Jamildo e sites.
Do Recife




  • VOLTAR
  • IMPRIMIR
  • ENCAMINHAR

Últimas Mais