Brasil

29 de julho de 2017 - 14h18

Celso Amorim: Brasil vive seu pior momento, depois da ditadura


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Celso Amorim Celso Amorim
"A política externa obviamente teve uma queda brutal. Você não percebe mais a presença do Brasil. Eu me recordo que, quando presidia reuniões do Mercosul, eram entrevistas sem parar, jornais, canais de TV, sempre tinha uma coisa nova, algo palpitante, ainda que fosse para criticar. Agora, não tem nada. Dá impressão que você está cumprindo tabela", critica o ex-chanceler, acrescentando que o diálogo com a Venezuela "é dificílimo", mas fundamental: "Não adianta você apoiar a solução do governo ou da oposição. Você tem que trabalhar pelo diálogo".

"O Brasil não é uma empresa. Não basta estar tendo lucro. O Brasil é um povo", disse ex-chanceler
Questionado sobre o momento atual do Brasil e o fato de o país estar quase saindo de um ranking recente que mede o "soft power" das maiores potências, Amorim disse que Lula buscou tornar a nação no cenário externo "ativa e altiva", mas que a diplomacia no governo Temer se perdeu.  

"Quando a gente tiver um governo mais legítimo, vamos poder novamente usar as coisas que criamos, os Brics, o Ibas (Fórum de Diálogo Índia, Brasil e África do Sul), o diálogo com os árabes, a boa relação com a África. A gente vai poder voltar (...) Espero que seja um governo voltado para a justiça social, porque isso é essencial. O Brasil não é uma empresa. Não basta ter o balanço adequado e estar tendo lucro. O Brasil é um povo", afirmou.

Para Amorim, é possível recuperar a credibilidade perdida e a diplomacia, que tem tradição. No entanto, o ex-chanceler afirmou que, como brasileiro, a percepção é muito ruim e só não é mais crítica que a vivenciada pela população durante a ditadura militar. 

"Eu seria tentado a fazer uma frase de efeito e dizer: 'O Brasil não está'. Tirando o período negro da ditadura militar, é o pior momento em que eu já vi o Brasil. Inclusive em matéria de credibilidade internacional. Mas o Brasil é um país grande (...) tem que voltar a ter o peso e a credibilidade que perdeu. Agora, o Brasil está cumprindo tabela. Na realidade, não pode fazer muito mais do que isso. Mas eu acho que vai se recuperar. Agora como, e quando, eu não sei".

A íntegra da entrevista à BBC


 Fonte: Jornal do Brasil

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