26 de julho de 2017 - 18h04

 E o tempo parou


 Almir Forte*

A maior e mais poderosa potência militar do planeta, os USA, com uma caricatura de personagem dos desenhos hollywoodianos na Presidência, segue surpreendendo o mundo, rompendo acordos assinados pelo antecessor, impondo barreiras a entrada de imigrantes, criando factoides nas redes sociais e fazendo ameaças aos países que não se alinham a suas políticas de forma subserviente.

A União Europeia segue em seu dilema de continuar unida, sob a liderança da Alemanha e da França, sendo obrigada a receber milhões de imigrantes que fogem das guerras na África e no Oriente Médio, causadas pelas grandes potências com o objetivo de saquearam os recursos naturais da região e implantarem bases militares visando expandir o seu raio de influencia.

Enquanto isso, a China e a Rússia vão consolidando seu poder econômico e militar, para contrapor a política belicista dos USA no Oriente Médio e na Ásia. A China constrói um ambicioso projeto global de transportes e telecomunicações, com ferrovias de alta velocidade, redes de internet, portos e estradas, denominada a Nova Rota da Seda, que pretende unir o Oriente ao Ocidente, e assim, vai se consolidando como a maior economia do planeta.

E a América Latina, que vinha construindo um projeto de integração regional de forma soberana e independente, com a participação efetiva do Brasil, que já fazia parte dos BRICS, criou a UNASUL, fortaleceu o MERCOSUL, abrindo negociações comerciais com a União Europeia e acordos bilaterais com diversos países.

No entanto, em menos de uma década, três golpes de nova modalidade mudaram completamente o cenário na América Latina, golpes modernos, sem armas ou tanques, apenas com a união entre o Parlamento, a mídia, o capital financeiro e uma parte de nossas instituições que contaram com ajuda externa interessadas em frear os avanços sociais, destruir as conquistas dos trabalhadores e se apoderarem das nossas riquezas estratégicas, dos conhecimentos científicos e tecnológicos.

E assim, em 2009 o presidente eleito democraticamente Manuel Zelaya foi deposto em Honduras, apenas três anos depois, em 2012, Fernando Lugo sofria um julgamento político e deixava a presidência do Paraguai. Quatro anos mais tarde o alvo foi o Brasil, com a deposição da Presidente Dilma Rousseff.

Agora, os brasileiros que nos últimos treze anos haviam conquistado o reconhecimento internacional, cursado faculdades, comprado suas casas, seus carros, andavam de avião, tinham empregos e sonhos, em um instante, como num passe de mágica, foram da alegria a apatia com um novo/velho governo, que despreza os anseios populares e governa para uma junta financista que não tem e nunca teve qualquer compromisso com o Brasil.

E, como um ladrão do tempo, rouba nossas vidas, os nossos sonhos, faz o tempo parar e nos convida a viver como se não houvesse futuro, em um estado catatônico tão profundo que não temos nem coragem de lutar por nossos direitos.

Até quando ficaremos impassíveis?



 *Almir Forte é servidor público federal, vice-presidente do Comitê Municipal de Cachoeiro e ex-vereador por três mandatos.

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