Brasil

25 de julho de 2017 - 17h03

Das dores do amor - e ódio - pelo time

Divulgação
"Muitas vezes o futebol não permite orgulho, meus caros!" "Muitas vezes o futebol não permite orgulho, meus caros!"

Já disse em outras ocasiões e repito: dei uma acalmada na sanha torcedora quando quase tive um piripaque e deixei órfãs minhas filhas. Cé loko! Não cabe. Não pode. Definitivamente, Luciane, não é desse jeito, minha filha!

Serenado o coração e o juízo instalado, minha relação com o São Paulo Futebol Clube transcorria como que num casamento fadado ao tédio. Aquela preguiça que bate para evitar a fadiga existencial depois de uma escolha feita.

E então que a situação é complicada e tudo está prestes a afundar quando aquela pequena chama – aquela que você manteve discretamente acesa – toma ares de braseiro quando o companheiro dá sinais claros de que sucumbirá.

Se antes você estava naquelas de “nem aí”, “por que não some, inferno?!”, “ô encosto que arrumei pra minha vida”, a iminente tragédia resgata o sentimento.

Nesta segunda-feira, 24, o São Paulo enfrentou o Grêmio no Morumbi. O Tricolor paulista na zona de rebaixamento. O Tricolor gaúcho persegue o líder Corinthians e garantir os três pontos em cima do São Paulo, era quase como chutar cachorro morto ou empurrar bêbado na ladeira. Mas não foi bem assim.

Mesmo abrindo o placar e mantendo a vantagem por um bom tempo do jogo, o Tricolor gaúcho cedeu o empate para o dono da casa diante de um público recorde em tempos de arenas com menos de 80 mil lugares.

Final do jogo: 1 a 1 = menos dois pontos pra cada tricolor. E os corintianos sorriem felizes lá da ponta da tabela.

O futebol é do povo e jogo às 21h45 = jogo às 22h00

Em plena segunda-feira, o torcedor são paulino compareceu para abraçar o time: 51.511 presentes. Ingresso barato – o futebol é do povo, viu, Kalil? - e horário excelente, #Jogo10daNoiteNão.

Enquanto isso nas redes sociais, o brasileiro passa fome metido a Paris Hilton, acha inteligente tirar sarro do torcedor são paulino por causa do ingresso barato praticado pelo clube. Fosse mais maduro e inteligente, exigiria isso de seu clube também, afinal, as arenas estão excluindo e se estes torcedores ainda não o foram, ainda o serão.

Da inteligência comprometida

Enquanto isso nas redes sociais, o brasileiro homofóbico e carente de imaginação/inteligência, insiste em “tentar ofender” os tricolores com “parada gay”, “bicharada e “bambi”. Melhorem!

Tem cabimento isso? Tem, sim senhor!

Antes, indo ao mercado, paro para a ideia futebolística básica com o guardador de carros da avenida. Não sei o nome do rapaz até agora. Só sei que é corintiano, que saiu do sistema – pagou de ponta a ponta, segundo ele – está em situação de rua e tem, ainda que miseravelmente, a garantia da comida diária naquele ponto específico da rua.

Com ares de lamentação, me diz que será obrigado a torcer para o meu time: “Se o Grêmio perdê, vamo ficáquase dez ponto na frente”. E do lado de cá, digo: “E eu quero mais é que seu time ganhe de todos os que estão na nossa frente”.

Muitas vezes o futebol não permite orgulho, meus caros! Às vezes as alianças temporárias são necessárias. O que não implica em atitudes tão radicais, como vestir a camisa adversária, claro! Mas em nome da classificação, do distanciamento na tabela e sobretudo, do título, vale fazer concessões e torcer para o adversário local.

Habemus festa!

Representantes das torcidas organizadas de São Paulo se reuniram com o Ministério Público e conseguiram a liberação dos itens mais legais que foram suprimidos das arquibancadas: bandeirões, instrumentos e faixas. Logo, a arquibancada voltará a ter cores lindas!

Tem uma série de exigências envolvidas, mas acredito que não teremos problemas quanto a isso. A notícia está no Blog do Perrone.


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