Brasil

14 de julho de 2017 - 11h19

Ex-presidente do Peru, Ollanta Humala, é preso por lavagem de dinheiro

Efe
Humalla e Heredia se apresentaram à justiça depois de serem acusados de lavagem de dinheiro Humalla e Heredia se apresentaram à justiça depois de serem acusados de lavagem de dinheiro

O casal chegou à cadeia do Palácio de Justiça, em Lima, em uma caminhonete da polícia, após se apresentar no Tribunal Penal Nacional, onde o juiz aprovou o pedido da promotoria que investiga Humala e Heredia pelo suposto recebimento de doações irregulares nas campanhas eleitorais de 2006 e 2011 das empresas brasileiras Odebrecht e OAS. A investigação é um desdobramento da operação Lava Jato e se baseia nas delações premiadas de executivos das empresas.

Logo após a sentença do juiz e quando estava a caminho do tribunal, Humala, que nega as acusações, se pronunciou no Twitter. “Esta é a confirmação do abuso de poder, que nós vamos enfrentar, em defesa de nossos direitos e dos direitos de todos”, disse o ex-presidente, que deixou o poder em julho do ano passado, com a posse de Pedro Pablo Kuczynski.

Heredia, sua esposa e ex-presidente do Partido Nacionalista Peruano, também se manifestou. “Apesar da arbitrariedade, estamos aqui, confiamos que esta decisão será revertida, por se tratar de justiça”, disse, também em seu perfil no Twitter. “Agradeço aos que não sentenciam antes do tempo e acreditam na inocência até que existam provas em contrário. Hoje, elas não foram apresentadas”, acrescentou.

A defesa do casal recorreu da medida tomada após uma longa audiência que durou cinco horas, em que o juiz apresentou seus argumentos para aceitar o pedido de prisão preventiva contra o casal.

Em sua sentença, o magistrado afirmou que convergiram diversos critérios, como a gravidade da pena e a quantidade dos danos causados, que justificaram a decisão, que ele classificou como “idônea e necessária”, bem como “proporcional” aos crimes praticados.

O juiz também considerou que “existem evidências substanciais” contra Humala e Heredia sobre o crime de lavagem de dinheiro e disse que a prisão preventiva vai garantir a presença do casal para os fins do processo e evitar que tentem interferir na produção de provas.

O magistrado também considerou como altamente provável que o casal recebeu dinheiro da Embaixada da Venezuela no Peru. Segundo ele, os elementos de provas apresentados pelo promotor Germán Juárez permitem presumir que “Heredia e Humala tinham recebido dinheiro da Venezuela e do Brasil, e que com um alto grau de probabilidade, colocaram a quantia nas campanhas eleitorais de 2006 e 2011 simulando contribuições fantasmas”.

Além disso, esse dinheiro ilícito teria sido usado para lucro pessoal, que estariam em contas em nome das filhas menores de idade do casal.

O recurso da defesa contra a prisão preventiva do casal deve ser julgado nos próximos 20 dias.
Além de Humala, o ex-presidente Alejandro Toledo (2001-2006) também foi condenado à prisão preventiva pelo juiz Carhuancho, em sentença ditada em fevereiro. Toledo é acusado de tráfico de influência e lavagem de dinheiro por supostamente ter recebido US$ 20 milhões em propinas da Odebrecht durante seu mandato.

Toledo vive nos Estados Unidos, onde trabalha como pesquisador na Universidade de Stanford, e é considerado foragido pela Justiça peruana.

O jornalista peruano Gustavo Gorriti, especializado em desvios de verbas e representante no Peru das investigações sobre operação brasileira Lava Jato e os Panamá Papers, disse ao jornal Folha de S.Paulo que a Procuradoria peruana não tem agido da melhor forma.

“Eles escolheram primeiro um dos envolvidos mais frágeis politicamente, que é Alejandro Toledo, para levar quase toda a culpa. Agora acusam Humala com base em caixa dois, quando o maior escândalo é montante de dinheiro envolvido em desvio de verbas de obras públicas no Peru. Essa investigação está, no momento, em segundo plano. Isso que ocorreu hoje [13] mais parece uma encenação”, afirmou à publicação brasileira.


Fonte: Opera Mundi

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