Geral

24 de junho de 2017 - 18h10

Consequências do genocídio dos ameríndios


   
Os invasores Europeus removeram quem cuidava da terra em que tinham vivido por dezenas de milhares de anos, acusando-os de serem “desperdiçadores” do potencial da terra, quando na verdade estavam sendo sustentáveis. A pecuária capitalista e a agricultura tinham como objectivo “subjugar” a terra e mudar para novas terras depois de esgotá-la.

A resolução da crise ecológica forçar-nos-á a revisitar a filosofia das pessoas que nos precederam, cuja atitude em relação à natureza era inerentemente mais respeitosa e com visão a longo prazo. O respeito dado à natureza era, em última análise, o respeito que os ameríndios ofereciam a si mesmos, uma vez que entendiam que os seres humanos são parte da natureza. Um assalto a um único elemento deste tecido vivo foi um assalto ao todo. Eles tinham uma interpretação radical do velho slogan do movimento trabalhista, “Uma lesão a um era uma lesão a todos”.

O índio americano usava o ritual e o mito (cultura) para manter um relacionamento sustentável com a natureza. Eram proto-cientistas que utilizavam a observação empírica no seu ambiente. Por exemplo, os índios Hopi identificaram 150 tipos de plantas diferentes na ecosfera e sabiam o papel de cada uma. Se a pesca ou a caça excessiva punissem uma tribo com fome, desenvolveriam um mito para explicar os perigos de tais práticas.

Recursos naturais esgotados

A nossa sociedade moderna, “científica”, permite-nos esgotar todo o stcok pesqueiro nos oceanos, porque há lucro para alguns, o ameríndio achava que o desperdício de recursos naturais era insano, especialmente para o lucro, considerando que a teologia judaico-cristã foi corrompida para justificar a invasão do “Destino Manifesto” de Deus de tirar o máximo proveito da terra. Os Paiute do Nevada contam uma história de um caçador que apanhou um coiote. Quando o caçador estava prestes a atirar no animal, este disse-lhe: “Meu amigo, nós, como pessoas, achamos necessário avisá-lo contra a nossa captura, tirando de nossos corpos nossas peles e vendendo-as para sua felicidade”.

Foi esta mesma tribo que recentemente juntou valores tradicionais e tecnologia moderna para inaugurar a primeira central solar de grande escala em terras indígenas nos EUA. A central de 250 MW ajudou a cidade de Los Angeles a atingir os 25% de energia renovável.



Nélson Abreu é Engenheiro Electrotécnico de Redes Inteligentes eSmart Grid). Los Angeles Department of Water & Power.

Fonte: Jornal Tornado (Portugal)

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