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24 de junho de 2017 - 9h41

Parada do Orgulho LGBTI de Paris comemora 40 anos neste sábado


   
“Ao recusar esse direito, o país as condena a seguir um caminho clandestino. Isso acarreta várias consequências: estresse, acompanhamento médico mais complicado, precariedade sanitária e jurídica”, explica Clémence Zamora Cruz, porta-voz da Inter-LGBT, organizadora do evento. “Além disso, há o alto custo de realizar o método no exterior: obrigação de pedir licença no trabalho, o preço da viagem, consultas às vezes muito caras. Isso leva algumas mulheres a optar, a contragosto, pela inseminação artificial."

Este ano a parada sai da Praça da Concórdia, “um lugar emblemático porque passaremos na frente da Assembleia Nacional”, diz Clémence. “Além do mais, em 1993, a associação Act Up batizou o local de ‘praça dos mortos em decorrência da Aids’. Ele ilustra a história da nossa luta, durante esses 40 anos, pelo reconhecimento dos nossos direitos e lembra os combates que, infelizmente, ainda precisamos enfrentar.”

A batalha contra a homofobia continua na ordem no dia, com destaque para um protesto contra a tortura e assassinato de homossexuais na Tchetchênia. “Somos solidários com o que eles estão passando, mas também queremos lembrar que 72 outros países ainda condenam a homossexualidade. Vamos continuar a mobilizar a comunidade internacional contra a discriminação e pela descriminalização”, afirma a porta-voz.

A parada, com dezenas de trios elétricos, sai às 14h30 da praça da Concórdia, passará pela rua de Rivoli e pelos boulevards Sébastopol e Faubourg-Saint-Martin, até chegar à praça da República, onde haverá discursos e shows. Às 16h, a música será interrompida para 3 minutos de silêncio para as vítimas da Aids e seus parentes e amigos.

Com a onda de calor que assola a França, uma fonte de água potável será instalada no local. Haverá também voluntários dando informações sobre riscos ligados ao consumo de álcool e de drogas.

Este ano os padrinhos do evento são a atriz Virginie Lemoine e o cantor e compositor Stéphane Corbin.

40 anos de luta e de orgulho

No dia 25 de junho de 1977, a associação de lésbicas MLF realizou em Paris a “Primeira Parada Autônoma dos Homossexuais na França”. O lema foi “Chega de falocracia, moralidade e virilidade", e o percurso, da praça da República à Plaça des Fêtes, no bairro de Belleville, no norte da cidade. Participaram cerca de 400 pessoas.

Em 1981, pela primeira vez, o evento foi chamado de Parada do Orgulho Gay, organizado pela associação Comitê de Emergência Anti-Repressão Homossexual. Ele foi realizado antes das eleições presidenciais, para pressionar os políticos. Foram 15 mil participantes que desfilaram de Maubert-Mutualié ao Centro Georges Pompidou.

Em 1987, a parada protestou contra o então presidente do partido de extrema-direita Frente Nacional, Jean-Marie Le Pen, que propôs a abertura de uma espécie de campo de isolamento para os soropositivos. Outra bandeira foi contra as ameaças de interdição do jornal gay “Gai Pied” pelo governo do então presidente, Jacques Chirac, de direita.

Em 1989, a imprensa e os comerciantes se uniram às associações gays na realização da parada, que foi da praça da Bastilha ao Museu do Louvre e usou um slogan em referência ao bicentenário da Revolução Francesa: “Liberdade, Igualdade, Homossexualidade”.

Os canais nacionais de TV cobriram pela primeira vez o evento em 1994, que ganhou uma reportagem no famoso telejornal “20 Heures”. Já em 1996, a parada ultrapassou pela primeira vez a marca de 100 mil participantes, e as reivindicações giraram em torno do CUS, ancestral do futuro Pacs (união civil), aprovado em 1999. No ano seguinte, cerca de 300 mil pessoas compareceram ao evento, que contou com 25 trios elétricos.

Participação de Hollande

Em 2000, o tema foi a luta contra a homofobia, e em 2002 a Inter-LGBT, organizadora do evento, foi recebida pela primeira vez no Palácio do Eliseu, por Marie-Claire Carrère-Gée, conselheira de ação social do presidente Chirac.

No ano seguinte, um novo recorde, com cerca de 700 mil pessoas e 90 associações e organizações sindicais e políticas, além de cerca de 20 entidades comerciais, que desfilaram da praça da Itália à praça da República. Em 2005, a bandeira foi a luta pelo casamento gay, aprovado em 2013, depois da maioria dos países da Europa Ocidental.

Em 2006, o ex-presidente François Hollande, então secretário-geral do Partido Socialista, desfilou à frente da parada, atrás da faixa “Pela igualdade! ”.

No ano passado, a parada homenageou as vítimas do atentado contra a boate gay Pulse, em Orlando (EUA), que deixou 50 mortos e 53 feridos. Cerca de 600 mil pessoas participaram.


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