Brasil

19 de junho de 2017 - 14h59

Com PSDB rachado, Alckmin muda o discurso: Podemos deixar o governo


Beto Barata/PR
   
Alckmin disse nesta segunda-feira (19) que o PSDB pode deixar a base do governo Temer a qualquer momento, chegando até a dar um prazo. "É questão de 60, 90 dias”, disse ele, enfatizando que a aprovação das reformas trabalhista e da Previdência servem de gatilho para um eventual desembarque.

A declaração foi feita durante visita as obras da Estação Engenheiro Goulart da CPTM, na zona leste da capital paulista. Alckmin, que foi o principal fiador de Temer para garantir a aprovação da permanecência no governo durante reunião da executiva nacional do PSDB, na semana passada, agora já reconhece que o partido está dividido.

“Você tem a posição dos que querem sair imediatamente. Você tem a posição daqueles que [pensam] como um casamento: até que a morte os separe. E você tem a nossa posição, que é dizer, ‘olha, vamos aguardar um pouco para terminar as reformas’. É questão de 60, 90 dias”, disse Alckmin.

Há algumas semanas, Alckmin defendia a permanência na base aliada do governo Temer afirmando que esse era o compromisso dos tucanos, pois o “Brasil já passou por outras crises, superou e vai superar também essa crise". Para ele o momento era de "responsabilidade".

Agora, ele diz: “Podemos sair a qualquer momento. O sair é deixar de ter ministérios. Aliás, acho isso absolutamente secundário. Tanto é que quando houve o impeachment eu era contra que o PSDB ocupasse ministérios. Sempre fui contra”.

Bancada na Câmara

Na Câmara, a situação só agravou. A bancada de parlamentares que encabeçou a campanha pelo desembarque já avisa que o Palácio do Planalto e o PMDB não devem contar mais com o apoio dos 46 deputados do PSDB para barrar a denúncia que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, prepara para apresentar contra Temer, investigado no Supremo Tribunal Federal (STF) por corrupção passiva, associação criminosa e obstrução de Justiça.

“Este será um momento decisivo para o PSDB. A depender do conteúdo da denúncia, o partido fica ou deixa o governo, vota pela admissibilidade ou rejeita”, disse um dirigente tucano. “Só contarão conosco se a denúncia for fraca. Por que vamos apoiar um governo moralmente insustentável?”, completou.

Nas contas do governo, são necessários 172 votos contrários para barrar a denúncia da PGR. O governo diz que tem esse votos, mas se perder o apoio dos tucanos, ainda que a denúncia de PGR seja aprovada, o governo - que já está respirando por aparelhos - perde força política e perde a governabilidade.

A posição dos deputados aumentou a pressão contra a cúpula tucana pela saída do governo Temer, somando ainda o anúncio de desfiliação de diversas personalidades da legenda. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso também passou a admitir a antecipação das eleições presidenciais de 2018 como solução para a crise política protagonizada por Temer.

A crise no ninho tucano acontece às vésperas do julgamento de pedido de prisão feito pela procuradoria-geral da República pela prisão do senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG). Presidente licenciado da legenda e principal interlocutor do PSDB no governo, Aécio está com a imagem cada vez mais desgastada após a delação de Joesley Batista, empresário da JBS. De olho em 2018, os tucanos tentam abandonar a nau golpista que eles construíram.


Do Portal Vermelho, com informações do Congresso em Foco e agências

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