Mundo

19 de junho de 2017 - 10h58

Reino Unido sofre quarto ataque terrorista em três meses

   

“Como eu disse aqui, duas semanas atrás, houve muita tolerância com o extremismo em nosso país por muitos anos – e isso significa qualquer tipo de extremismo, incluindo islamofobia. É por isso que estaremos revisando nossa estratégia de contraterrorismo e assegurando que a polícia e os serviços de segurança terão os poderes que precisam”, afirmou a premiê, em discurso na sede do governo.

“E é por isso que vamos estabelecer uma nova Comissão de Combate ao Extremismo como órgão estatutário para ajudar a combater ódio e extremismo da mesma maneira que lutamos contra o racismo – porque este extremismo é insidioso e destrutivo aos nossos valores e ao nosso modo de vida e nada vai nos impedir de derrotá-lo”, disse.

May fez a declaração após presidir uma reunião do comitê de emergência do governo. A ação, segundo ela, "mais uma vez, teve como alvo pessoas normais e inocentes que cumpriam com suas rotinas, desta vez muçulmanos britânicos que deixavam uma mesquita", em "um momento sagrado do ano" para a comunidade, o mês do Ramadã.

"Este ataque contra os muçulmanos perto do seu local de culto e todos os atos de terrorismo em qualquer uma de suas formas têm um mesmo objetivo fundamental: dividir a sociedade e romper os vínculos de solidariedade que são compartilhados neste país", disse a primeira-ministra, que afirmou novamente – assim como fez nos últimos três ataques – que "não permitirá que isto ocorra".

No ataque deste domingo, dez pessoas ficaram feridas e um homem morreu. A Scotland Yard ainda verifica se essa morte está diretamente vinculada ao atentado, pois, aparentemente, essa pessoa já recebia auxílio quando o veículo começou a atropelar os pedestres.

Algumas testemunhas do atropelamento descreveram que o suposto autor, que foi preso, gritou que iria "matar todos os muçulmanos", antes de ser rendido pelas pessoas que estavam próximas à mesquita. O acusado do ataque é um homem de 48 anos que está sendo interrogado pela polícia. Segundo May, ele agiu sozinho.

Uma das testemunhas, Abdulrahman Saleh Alamoudi, afirmou que estava junto com um grupo de fiéis que acabava de terminar de rezar e que, nesse momento, ajudava um idoso que "tinha caído", talvez por causa do calor, quando a van do agressor se dirigiu a eles.

"Esta caminhonete veio para cima da gente. Acredito que pelo menos dez pessoas ficaram feridas e por sorte, eu consegui escapar", afirmou. "Então, o homem saiu da caminhonete e o agarrei. Estava gritando: Vou matar todos os muçulmanos, vou matar a todos os muçulmanos. Ao mesmo tempo em que ia dando murros", relatou.

Outra testemunha, Abdikadar Warfa, contou como ele ajudou a deter o suspeito enquanto seus amigos socorriam novas vítimas que ficaram feridas. "Vi um homem sob a van, que estava sangrando e meu amigo me disse que era preciso levantar o veículo. Eu estava ocupado com o homem que tinha tentado escapar", disse.

Por sua vez, Salah Alamoudi apontou que as pessoas que contribuíram para deter o agressor esperaram "meia hora" até a chegada dos agentes e que o terrorista "era um tipo forte, um homem grande".

Um morador do bairro de Finsbury Park, Abdul Abdullahi, que passou pela mesquita, falou em "uma sensação de confusão" e disse que viu "gente jogada no chão" enquanto o agressor "parecia indiferente".

O prefeito de Londres, Sadiq Khan, que é muçulmano, qualificou nesta segunda o incidente desta noite na cidade como um ataque aos valores "compartilhados de tolerância, liberdade e respeito".

Além disso, o prefeito pediu aos londrinos, em declaração, que mantenham a "calma" e permaneçam "vigilantes" enquanto se esclarece este incidente.

"Enquanto este parece ser um ataque contra uma comunidade em particular, como os terríveis de Manchester, Westminster e London Bridge, este é também um ataque contra todos os nossos valores compartilhados de tolerância, liberdade e respeito".

"Ainda não sabemos de todos os detalhes, mas está claro que este foi um ataque deliberado contra londrinos inocentes, muitos deles terminando as orações durante o mês sagrado do Ramadã", disse Khan.

O subcomandante Neil Basu, da Scotland Yard, afirmou que, por enquanto, acredita-se que tenha sido um só indivíduo que atropelou com uma caminhonete fiéis que acabavam de finalizar suas orações na mesquita. Segundo ele, todas as vítimas pertencem à comunidade muçulmana.

Oito feridos estão internados em três hospitais da cidade, dois em "estado crítico". Mais dois foram atendidos no local e já foram liberados.

"Isso foi um ataque contra Londres e todos os londrinos. Devemos permanecer lado a lado contra esses extremistas", afirmou Basu.

A polícia não descarta neste momento nenhuma hipótese. acrescentou o agente. Por enquanto, um homem de 48 anos é o suposto agressor. Ele foi detido por uma multidão após o atropelamento, permanece sob custódia policial e "não foram identificados outros suspeitos", disse Basu.

Este é o terceiro atentado em quatro meses no país. Em março, um carro avançou sobre pedestres na ponte de Westminster, no centro da capital britânica, e, em seguida, houve um tiroteio. Seis pessoas morreram, incluindo o autor, e mais de 40 ficaram feridas.

No final de maio, um atentado suicida a bomba na saída de um show da cantora Ariana Grande, em Manchester, matou 22 pessoas – dentre elas, muitas crianças – e deixou 59 feridos.

Na semana seguinte, em um sábado à noite, ataques na ponte de Londres e no Borough Market, muito frequentado no horário, deixaram oito mortos e mais de 40 feridos.






Com Opera Mundi

  • VOLTAR
  • IMPRIMIR
  • ENCAMINHAR

Últimas Mais