Brasil

18 de junho de 2017 - 17h39

Eleição na França: abstenção recorde e vitória de Macron


   
De acordo com os primeiros resultados, divulgados às 20h pelo horário local (15h em Brasília), o índice de abstenção foi de 56,6%, um recorde histórico. Na eleição legislativa anterior, em 2012, 44,6% dos eleitores não foram às urnas.

Segundo as projeções baseadas em amostragem de urnas já apuradas, A República em Marcha (LREM na sigla em francês), partido político do jovem chefe de Estado de 39 anos criado há pouco mais de um ano, deve obter entre 355 e 425 assentos na Assembleia Nacional. O resultado garante muito mais do que os 289 necessários para alcançar maioria absoluta.

Porém, diante do índice histórico de abstenção, o porta-voz do governo, Christophe Castaner, disse logo após a divulgação dos resultados que os franceses não quiseram “assinar um cheque em branco” para Macron.

O partido Os Republicanos (LR na sigla em francês) conquistou pelo menos 125 cadeiras e se torna a primeira força da oposição no país. “Apesar de nossa eliminação no primeiro turno da eleição presidencial, as legislativas nos permitiram constituir um grupo suficientemente importante para que façamos ouvir nossos engajamentos, valorizar nossas convicções e defender nossos valores”, declarou o presidente da legenda, François Baroin, logo após a divulgação dos resultados.

Socialista quer reforma da esquerda

O chefe do Partido Socialista (PS), Jean-Christophe Cambadélis, foi um dos primeiros dirigentes de partido a se exprimir. A legenda, que dirigia o país até o mês de maio, com um chefe de Estado e uma maioria composta por 300 cadeiras, elegeu apenas 34 deputados. “O triunfo de Macron é incontestável e o presidente da República tem todo o poder”, disse, antes de fazer um balanço da performance do PS no pleito. “A esquerda deve mudar tudo, por dentro e por fora, em termos de ideias e de organização, e eu assumo minha parte de responsabilidade”, completou, antes de anunciar que pretende deixar a direção da legenda.

A líder da extrema-direita, Marine Le Pen, que foi derrotada no segundo turno da eleição presidencial, conseguiu ser eleita deputada pela primeira vez neste domingo. Com cerca de 2 milhões de votos, seu partido, a Frente Nacional (FN), conquistou pelo menos 6 cadeiras na Assembleia Nacional.

“Somos a única força de resistência da França, defensores dos interesses do povo francês na Assembleia, mas também no debate público”, disse Marine Le Pen. “Se o governo de Emmanuel Macron tem uma maioria absoluta, suas ideias são minoritárias em nosso país”, completou a líder da extrema-direita.

"Povo fez uma greve cívica"

Já o líder da esquerda radical, Jean-Luc Mélénchon, celebrou as 18 cadeiras conquistadas por seu partido, a França Insubmissa. Para ele, a boa notícia desse segundo turno da eleição legislativa é a “abstenção esmagadora, que tem um significado político”. Para ele, ao boicotar o pleito, “o povo fez uma greve cívica”.

Mélénchon lembrou que com a formação de um grupo na Assembleia, seu partido vai tentar bloquear as reformas impostas pelo governo. “Agora temos que passar da abstenção para a ofensiva”, convocou.




 
Fonte: Rádio França Internacional

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