Brasil

13 de junho de 2017 - 13h59

Nobel da Paz pede prioridade para investimento em educação pública


Agência Câmara
Ativista indiano Kailash Satyarthi foi homenageado na Câmara dos Deputados Ativista indiano Kailash Satyarthi foi homenageado na Câmara dos Deputados
Kailash Satyarthi agradeceu a homenagem e elogiou a legislação brasileira de combate ao trabalho escravo e ao trabalho infantil. Ele destacou o papel do Congresso nacional em garantir um futuro melhor para milhões de crianças do país e pediu prioridade para o investimento em educação pública.

“Nós temos que dar um fim ao trabalho infantil e à escravidão infantil. Nós temos o comprometimento internacional. Eu espero e faço um apelo. O investimento em educação é a chave”, afirmou.

Para a líder do PCdoB na Câmara, deputada Alice Portugal (BA), este é exatamente o ponto a ser insistido no Brasil. Alice criticou o fato de o governo ilegítimo ter articulado para incluir na Constituição um teto para os gastos para os próximos 20 anos, sem antes universalizar ou garantir educação pública de qualidade.

“Kailash é um exemplo a ser seguido, e muito precisa ser feito por aqui. Esperamos que o Brasil revogue a Emenda Constitucional nº 95, de 2016, porque ela suprime a possibilidade de melhora, na medida que os investimentos públicos são sufocados. Políticas públicas são abortadas. E isso é dramático”, defendeu a parlamentar em pronunciamento no Plenário.

O ativista indiano está no Brasil para o lançamento da Iniciativa Global 100 milhões por 100 milhões, campanha com o objetivo de mobilizar 100 milhões de pessoas na luta pelos direitos de 100 milhões de crianças que vivem em situação de trabalho infantil no mundo.

A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), membro da Frente Parlamentar da Primeira Infância, salientou a necessidade de medidas efetivas serem tomadas, ao afirmar que “este é um tema que não é de alguns, mas de todos nós”.

“Nos confrontamos com um país desigual, com estatísticas avassaladoras. É óbvio que à primeira vista o direito à educação nos salta aos olhos, mas pensar no trabalho infantil vai muito além disso: é pensar no direito à educação, no direito ao sonho, no direito à fantasia, no direito de brincar, no direito de ser agasalhado, amado, de estar em casa. É pensar no direito de ser criança”, complementou a deputada.

Um dos autores do requerimento para a sessão solene em homenagem ao ativista, o deputado Glauber Braga (Psol-RJ) disse que a homenagem ocorre em momento preocupante no Brasil. Ele apresentou dados consolidados do IBGE que mostram haver 2,7 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos em situação de trabalho infantil.

Braga salientou o recente aumento do trabalho de crianças de 5 a 9 anos, especialmente no campo. Para o deputado, a sessão solene representou um ato de articulação política.

“Para que a gente não possa, de maneira alguma, esconder essa realidade, mas pelo contrário, mostrar que ela exige articulação nacional e internacional para o seu enfrentamento, porque a gente necessariamente não quer só garantir um futuro onde crianças e adolescentes tenham o direito à educação, mas um presente onde crianças e adolescentes, como sujeitos de direitos, tenham a sua vida respeitada”, declarou.


Fonte: PCdoB na Câmara

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