Economia

18 de maio de 2017 - 14h28

Crise política lança país na incerteza e tem impactos na economia


   
O Ibovespa, principal índice do mercado acionário, operava esta manhã em baixa na casa de 9%, após uma paralisação de meia hora. Pela primeira vez dede 2008, os negócios da Bovespa foram suspensos. A queda acentuada – acima de 10% - ativou o circuit breaker, instrumento de proteção que limita as perdas, na ocorrência de movimentos bruscos de mercado.

Antes da paralisação, a pior queda era das ações da Cemig, que despencaram 41,66%. Entre as estatais, o Banco do Brasil tinha o pior desempenho, recuando 24,58%.

As ações de empresas brasileiras nos mercados internacionais também foram afetadas pela crise política. As denúncias atingiram em cheio os ADRs (American Depositary Receipts), recibos de ações de empresas brasileiras negociados na bolsa de Nova York. Às 8h, horário de Brasília, os ADRs da Petrobras despencavam cerca de 18%, enquanto os ativos da Vale operavam em baixa de 11%, Bradesco recuava 13% e Itaú Unibanco, 14%.

Nos mercados de câmbio e juros do Brasil, o cenário é típico de momentos de pânico e incerteza. O resultado das operações se reflete na forte alta do dólar, que girou em torno de R$ 3,40 nos maiores níveis do dia.

“Por volta das 12h45, o dólar comercial operava em alta de 8,33%, a R$ 3,3920. Na máxima, o dólar avançou 8,85%, deixando para trás as altas até mesmo dos picos de nervosismos da crise de 2008. A variação desta quinta-feira é a maior desde 31 de julho de 2002, quando a moeda chegou a subir 9,39%”, escreveu o Valor Econômico.

No mercado secundário de títulos públicos, a corrida é para se desfazer dos papéis. As taxas da LTN com vencimento em 2020, por exemplo, disparam cerca de 200 pontos, saindo de 9,54% do fechamento anterior para 11,30% hoje.

Entre analistas, a avaliação é de que a crise deverá paralisar o Congresso, o que significa que as reformas impopulares e anti-trabalhador anunciadas por Temer como a panaceia devem ficar em suspenso. E, se a economia ainda não dava sinais de uma retomada, a incerteza deve atrapalhar ainda mais a atividade econômica, afastando investimentos.

Consultores do m,ercado financeiro  já avaliavam que o agravamento da crise política pode levar o Banco Central a rever o já tímido ritmo de corte da taxa básica de juros, a depender do comportamento do dólar e da expectativa de inflação. Isso porque o câmbio alto, se persistir, pressiona a inflação para cima.

Nesse quadro, tudo leva a crer que os estragos provocados pelo impeachment e pela gestão Michel Temer na economia ainda serão sentidos por muito tempo.


 Do Portal Vermelho, com agências

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