17 de maio de 2017 - 8h21

Penlope Toledo: A mame no pode jogar sozinha

Me e filho pintados para assistir partida da Argentina Me e filho pintados para assistir partida da Argentina

Quando chega dia das mes, as homenagens se multiplicam. Jogadores fazem depoimentos emocionados, clubes distribuem rosas, at os rbitros falam de suas progenitoras. Muito bonito e merecido. Mas alm de condecoraes, elas merecem que os papais assumam a sua responsabilidade na criao dos filhos, o que nem sempre acontece.

A criao dos filhos um esporte coletivo, no individual


Atletas como o zagueiro Thiago Silva (Paris Saint-Germain, ex-Fluminense), o goleiro Jefferson (Botafogo) e o volante Paulinho (Guangzhou Evergrande, ex-Corinthians) refletem a realidade de milhes de brasileiros: foram criados sem os pais – alguns/as ainda tm a figura paterna no padrasto, outros, nem isto.

A cultura machista e patriarcal naturaliza as responsabilidades e obrigaes na criao dos/as filhos/as recarem exclusivamente sobre a mulher, em vez de serem divididas igualmente. Muitos progenitores se limitam a registrar, pagar penso, passear aos fins de semana ou quinzenalmente. Outros, nem isto.

Quando foi preso por “lavagem de dinheiro oriundo do trfico de drogas, o ex-goleiro Edinho, filho de Pel, concedeu entrevista reclamando da ausncia do pai em sua vida: “fui criado por uma me solteira, disse. Tambm filha de Pel, Sandra Regina, lutou por 5 anos na Justia pelo reconhecimento da paternidade, mesmo com esta j comprovada em exame de DNA.

Negao de paternidade, alis, uma constante, infelizmente. Para se ter uma ideia, quatro milhes de crianas no Brasil no tm o nome do pai no registro de nascimento, de acordo com o IBGE/ 2016. Outras fontes falam em 5,5 milhes. O que significa que 4 ou 5 milhes de homens se acham no direito gerar filhos e abandon-los.

A mame tambm torcedora, jogadora e mulher

Em parte por estarem sobrecarregadas, em parte pelo machismo social que tenta impor que a me tenha que ser s me e em perodo integral, muitas garotas que gostam de futebol e outros esportes acabam tendo que deixar os gramados/quadras e as arquibancadas aps a maternidade.

A lateral da seleo de futebol Tamires, por exemplo, precisou pendurar as chuteiras quando engravidou, aos 21 anos, sem saber se um dia voltaria a jogar. Ela ficou trs anos e meio afastada da bola, enquanto seu marido, tambm jogador de futebol, seguiu jogando.

Felizmente ela voltou a jogar. Felizmente outras mes se empoderam e voltam a fazer o que gostam, porque compreendem que a maternidade algo lindo e importante, mas que pode ser conciliada com outras realidades lindas e importantes. A mame tambm torcedora, jogadora e milhes de outras coisas simultaneamente.

A mame , antes de tudo, mulher. Com toda a beleza, magia, mistrio, delcias e dores que isto significa.


*Comunista, jornalista com passagem pelo jornal Lance!

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