Brasil

15 de maio de 2017 - 23h58

Solidariedade a Cuba reúne lideranças sindicais e populares em Vitória


   
 
Fernanda Tardin*

A Etapa Estadual para a Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba (Conasol) –“Cuba Nos Une”, realizada na manhã de sábado, 13, na sede do Sindbancarios/ES em Vitória debateu o programa Mais Médicos, do Governo Federal – lançado durante o Governo Lula, com a presença de autoridades cubanas. A etapa nacional terá lugar em Belo Horizonte, entre os dias 15 e 18 de junho.

O evento estadual contou com a participação do cônsul de Imprensa de Cuba, Antonio Mata Salas, a coordenadora do programa mais Médicos no Estado, Rosa Venegas Pérez, a professora e representante da Cebrapaz, Mônica Simões, além de representantes de sindicatos diversos como SINTEC ES  e SINDIUPES

O evento contou com momentos musicais como a exibição de Carlos Papel e Cecitônio Coelho, e Ivan e Sônia Frizera. Outros momentos durante o evento possibilitaram a participação de varias expressões culturais.

Os artistas e a participação de comunidades diversas, dando voz a quantos quisesse falar, além dos procedimentos que envolveram a oficialização do Comitê Capixaba de Solidariedade a Cuba, levaram a um desdobramento da reunião. Portanto, dentro de 15 a 20 dias, se fará necessária a realização de um terceiro momento, com exibiçao de filme e roda de conversa sobre o tema Bloqueio Econômico.

 promoção dessa etapa ficará por conta das Brigadas de Cuba e Programa Soy Loco Por Ti, apoiados pelas instituições que compõem a rede de solidariedade Capixaba a Cuba.

Guantánamo e Mais Médicos

Antonio Mata destacou situação da Base de Guantánamo e a necessidade de sua reintegração territorial a Cuba. Mata destacou a necessidade de resistir às investidas dos interesses políticos dos Estados Unidos para preservar a soberania de Cuba e dos países latino-americanos.

“A Revolução Cubana tem que evitar uma grande provocação do governo dos Estados Unidos. Nossa posição é de nos mantermos pacíficos, porém exigimos que se devolva o território do povo cubano”

Antonio Mata e Rosa Venegas especificaram o atendimento dos médicos cubanos destacando o método consagrado por Cuba e celebrado em todo o mundo.

“A prática médica cubana vê o paciente como um todo, como um ser humano. As bases da medicina são a mesma em todo o mundo. Mas os princípios humanos que utilizamos fazem a diferença”, ressaltou Rosa Venegas.

Antonio Mata também destacou que os valores da medicina cubana são mantidos nas universidades o que garante a perpetuação da humanização do tratamento do paciente.

Participação Popular

Presentes no evento, profissionais  de saúde e representantes de comunidades atendidas pelos médicos cubanos relataram suas experiências.

- Iran Caetano, médico capixaba que recepcionou os primeiros médicos do país caribenho no Estado lembrou uma das principais preocupações daquele grupo de médicos capixabas:

“Nós nos dedicamos a mostrar aos médicos cubanos que estavam chegando, que eles seriam recebidos como irmãos pelos capixabas. A importância da participação deles aqui é reconhecida por muitos médicos de Estado.

- O representante da Amacentro, Associação de Moradores do Centro de Vitória, Everton Martins, ressaltou a aceitação da população com o atendimento dos cubanos:

“A população mais periférica, dos morros de Vitória, espelha bem a importância da chegada dos médicos cubanos. A população estava satisfeita com a forma de tratamento deles. Mas, infelizmente, com a mudança de governo, o atendimento foi modificado. Nós passamos a ter apenas dois médicos para atender uma população de cinco mil pessoas”.

- O membro do Colegiado da Fames – Federação de Associações de Moradores da Serra e diretor da Associação de Moradores de Campinho da Serra I, Marcilho Ferreira dos Santos, aproveitou a oportunidade para agradecer aos médicos cubanos:

“Na condição de usuário do SUS, nós queremos agradecer pela dedicação demonstrada ao nosso povo. Essa experiência de medicina humanizada é inesquecível e mostra que, com dedicação, é possível fazer mais pela população! As pessoas das comunidades são só elogios aos cubanos”.

- Ana Vilarino, representante da Femopovi, Federação de Movimentos Populares  de Viana, ressaltou a necessidade de ampliação do programa com a utilização de médicos do país caribenho:

“Em muitas comunidades de Viana, nos últimos meses, houve uma redução no número de médicos cubanos nas unidades de saúde. Apesar de sabermos que com o tempo, os médicos cubanos serão substituídos pelos brasileiros, a população apresenta uma identificação muito grande com os médicos de Cuba”.

- A médica cubana Yusleides Parra destacou que o envolvimento das comunidades ajudou muito os médicos de Cuba:

“A população entendeu a dificuldade inicial relacionada com a língua e, com o tempo, conseguimos driblar esse problema. Eu tenho a melhor opinião sobre o povo brasileiro e, com a ajuda dos moradores conseguimos melhorar a atenção e o acolhimento às pessoas das comunidades”.

- Izoete Gonçalves Guimarães Filho, sargento da Reserva da Polícia Militar, condenou o preconceito contra os médicos cubanos percebido no início do programa:

“Agradecemos a participação dos médicos cubanos e queremos ressaltar que o que houve quando da chegada dos cubanos foi preconceito racial, e nós condenamos isso”.

Ainda, durante o evento, a representante da Clipper Turismo, Lucília Diniz Assis, apresentou as riquezas turísticas e culturais da ilha e mostrou que Cuba tem bem mais que Havana e o balneário de Varadero.

A Noite anterior já tinha sido marcada por um encontro entre o Consul de Cuba Antonio Matas e o Presidente da CTBES , Jonas de Paula Muniz o Presidente e o diretor do SINTEC – Bernardino e Telmo Sodre ,as representantes da CALLES- Fernanda Tardin e Ana Paula Perciano, a secretaria de organização do PcdoBES Janice Muniz . Degustando uma moqueca Capixaba , a conversa girou em torno de turismo,  programas sociais e projetos trabalhistas



 *Fernanda Tardin é secretaria de movimentos sociais do Comitê Estadual do PCdoB do Espírito Santo

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