15 de maio de 2017 - 15h03

 Genocídio Indígena


 Anete Lacerda*

O autor do livro é o jornalista Rubens Valente, que relata as atrocidades cometidas contra os índios na ditadura militar em todo o Brasil. Valente tira máscaras e revela o lado bandido de quem sempre foi considerado mocinho. E faz muitas revelações que garantiriam a reabertura da discussão de reparação aos índios, se prevalecesse o Estado Democrático de Direito, na avaliação de muitos especialistas.

Detalha ainda massacres esquecidos, epidemias devastadoras, invasão de terras, trabalho escravo, prisões arbitrária, pedofilia e outros crimes. Ao manter sua cultura e tradição, o índio era visto como um empecilho ao progresso. Então por que não exterminá-los com requintes de crueldade?

O lamentável disso tudo é que décadas depois, os índios continuam sendo exterminados pelos detentores do poder político e econômico. Os massacres continuam, não mais com a desculpa da integração, como no passado. Mas ainda com requintes de crueldade.

O argumento atual é de que estão invadindo as terras dos fazendeiros. Se já eram arrancados de suas terras e mortos, tanto por doenças transmitidas pelos brancos, quanto por ações de extermínio, o que esperar da garantia de direitos de um Congresso Nacional que tem a Bancada da Bala, do Boi e da Bíblia?

Então a Bancada da Bala dá a munição, a do Boi garante os mercenários travestidos de capangas e feitores, e a da Bíblia parece muito preocupada em ganhar a alma desses índios, que estariam enterrando seus filhos recém-nascidos vivos por causa de suas deficiências físicas.

Enquanto querem cumprir seu papel evangelizador, parecem indiferentes aos massacres que se repetem país afora, como foi o caso recente dos Gamelas no Maranhão, que tiveram mãos amputadas a facão e foram baleados na cabeça. Feridos e mortos às dezenas.

Os veículos de comunicação revelam pouco, mas mesmo assim é possível perceber que a violência contra os povos indígenas cresce sem que ninguém que tenha poder de decisão faça algo para impedir essa matança. Afinal de contas, “são apenas índios”.

Se pudesse, faria um pedido às igrejas. Que cumpram o seu papel evangelizador, já que ninguém pode impedí-los de aculturar os índios. Mas que levantem também suas vozes e gritem pelos índígenas que estão sendo mortos com golpes de facão e tiros de escopeta e espingarda porque tentaram voltar para a terra que é sua desde sempre.

As reservas indígenas ocupam apenas 12,5% do território brasileiro. A continuar esse ritmo de extermínio, sob a omissão do Estado e silêncio da igreja, em breve serão apenas nomes perdidos na história. Sob os aplausos das Bancadas da Bala, do Boi e indiferença da Bancada da Bíblia, com o apoio de um Congresso Nacional que, com raríssimas exceções, não cumpre o seu papel e entrega as minorias à sua própria sorte. Realmente 1.500 não acabou.



 *Anete Lacerda é jornalista

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