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12 de maio de 2017 - 17h40

O impacto dos 365 dias de golpe para as mulheres, jovens e LGBTs


Mídia Ninja
   
Lucia Rincon, presidenta da União Brasileira de Mulheres (UBM), considera que todas as medidas de retrocesso encaminhadas nos últimos 365 dias atingem diretamente o gênero feminino. “Afetam as indígenas, trabalhadoras rurais e urbanas, jovens, na área da saúde, educação e empoderamento, toda a transversalidade de maldades desse governo impactam a vida dessas mulheres de forma visceral”, avalia.

Ela elenca os principais aspectos negativos do golpe. “Na constituição dos ministérios, ocorreu a ausência total de mulheres, fato inclusive registrado pela Organização das Nações Unidas (ONU), como um demérito para o Brasil. Esse fato foi a cristalização de uma campanha que se caracterizou também contra a presidenta Dilma, por ela ser mulher. Com isso, a misoginia e as leis do patriarcado voltaram a ser defendidas com naturalidade em nossa sociedade. Nesse combate ao empoderamento conquistado nos últimos anos, ocorreu o desprestígio da Secretaria de Política para as Mulheres (SPM), que sofreu um corte de 35% do seu orçamento, passando a depender de outros ministérios para realizar ações”, lamenta Lucia.

Lucia diz que no Congresso Nacional a conjuntura também é complexa. “A reforma da Previdência desconhece a dupla jornada da mulher quando iguala a idade da aposentadoria à do homem, ignorando essa função reconhecida até pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), além do fim da pensão integral por morte do cônjuge. Essa proposta é um golpe nos direitos que já conquistamos”, denuncia.

Andrey Lemos, presidente da União Nacional LGBT (UNALGBT), enumera algumas medidas do Executivo que provocam retrocessos nesses 365 dias de golpe. “A Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial, prevista para ocorrer em 2017, não tem data prevista, a reforma do Ensino Médio aprovada sem o debate com a sociedade, a extinção do Fórum Nacional de Educação, o comitê LGBT do Ministério da Cultura (MinC) nunca conseguiu se reunir, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República não apresentou o mapa da violência contra as pessoas LGBT no Brasil, todos esses aspectos são nocivos”, aponta.

“Estamos vendo um crescimento absurdo da violência, inclusive, o governo Temer está respondendo na Corte Interamericana pela não garantia de direitos às pessoas LGBTs. A partir do momento que a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência se abstêm do enfrentamento, ela legitima e amplia a discriminação, as políticas nacionais de enfrentamento à LGBTfobia, criadas no governo Dilma, foram completamente abandonadas”, conclui Andrey.

Maria das Neves, diretora nacional da União da Juventude Socialista (UJS), considera que os jovens e as mulheres são os mais afetados pelo governo ilegítimo. “Com a reforma da Previdência, nossa geração nunca se aposentará! Todos os direitos conquistados na educação estão ameaçados, ProUni, Fies, as cotas. O governo Temer é inimigo dos sonhos da juventude. Vivemos num estado de exceção, que aprofunda a repressão e mata, sobretudo a juventude negra e periférica. Precisamos lutar e resistir. Ocupar as ruas é tarefa permanente, para barrar a agenda de retrocessos e retomar a democracia. Diretas já!”, conclui a jovem.



Do Portal Vermelho 

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