Brasil

10 de maio de 2017 - 18h17

 Os sem futuro


 Almir Forte*

Um olhar mais atento sobre as últimas eleições nos USA e na França, confirmam que na realidade estamos retornando ao passado com essas duas democracias que sempre influenciaram o mundo ocidental e se mostraram na vanguarda do desenvolvimento econômico, político e social.

Os USA, que através de Hollywood, com suas megaproduções cinematográficas, vendeu ao mundo a ideia de que seria a terra das oportunidades, um novo oásis, a terra dos sonhos de todo imigrante que sonhava conquistar o mundo e ganhar dinheiro, com a eleição de Donald Trump sofre uma grande mudança em relação as leis de imigração.

E a França, país que revolucionou o mundo com os princípios de “Liberté, Egalité, Fraternité” e apresentou a humanidade um novo modo de vida, agora, elege como presidente Emmanuel Macron, de centro-direita, representante do neoliberalismo, que promete impor grandes sacrifícios aos trabalhadores, aos estudantes e aos defensores do grande legado da Revolução Francesa.

E no Brasil, maior país da América do Sul, depois de um pequeno período em que caminhava para se consolidar como uma nação democrática, soberana e respeitada, assumindo o protagonismo e a liderança no hemisfério Sul e no mundo, vê-se de repente diante de um estado de exceção onde a democracia sofreu um duro golpe.

O ilegítimo governo Temer, que é reprovado por mais de noventa por cento da população, vai cumprindo seu compromisso com os banqueiros, as multinacionais, a FIESP, a Rede Globo e mais alguns saudosistas da ditadura militar, que com o apoio da maioria no Congresso Nacional, vai aprovando em tempo recorde, as reformas trabalhistas e previdenciárias para acabar com os nossos direitos.

E enquanto assistimos impassíveis a investida do estado de exceção em que vai se transformado o Brasil, exercido pela simbiose entre o Poder Executivo e Legislativo, alguns membros do Poder Judiciário e da PGR se digladiam publicamente pela paternidade da operação lava jato.

E para desviar nossa atenção do tema principal, existe o risco da Convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte, onde as forças que estão no poder certamente seriam favorecidas e dessa forma, cremariam o que restasse dos direitos e garantias individuais e coletivos conquistados na Constituição Cidadã de 1988.

Portanto, o centro da luta dos defensores da democracia em nosso país, deve ser a formação de uma ampla frente popular, com um projeto que atenda aos anseios empresariado nacional, dos pequenos produtores rurais, dos movimentos sociais, culturais, indigenistas e dos trabalhadores do campo e da cidade, para reconstruir o estado brasileiro e a imediata convocação de eleições diretas para presidente da Republica e do Congresso Nacional.

Não podemos permitir, que aqueles que vivem propagando a ideia de que somos um povo sem memória, nos transformem em uma sociedade sem futuro.

 




*Almir Forte é servidor público federal, vice-presidente do Comitê Municipal de Cachoeiro e ex-vereador por três mandatos pelo PC do B.

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