Brasil

7 de maio de 2017 - 12h06

Trabalhadores dos Correios decidem sobre acordo ou continuar greve


Em São Paulo a decisão foi de permanecer em greve pelo menos até segunda-feira (8) Em São Paulo a decisão foi de permanecer em greve pelo menos até segunda-feira (8)
Os trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), de braços cruzados desde a noite de 26 de abril, avaliam proposta da estatal para o fim da greve. Uma proposta foi construída na quinta-feira (4) após mediação do Tribunal Superior do Trabalho (TST), envolvendo as duas federações que representam os trabalhadores, a Fentect e a Findect.

Posteriormente, houve nova negociação com o presidente da ECT, Guilherme Campos. A avaliação será feita em assembleias nas bases dos 36 sindicatos da categoria, de sexta (5) até segunda-feira (8).

Em algumas bases, a volta ao trabalho já foi aprovada, mas em São Paulo (cujo sindicato é filiado à Findect), por exemplo, a decisão foi de permanecer em greve pelo menos até segunda-feira, quando haverá nova assembleia, às 10 horas. Nos mesmos dia e horário, será realizada assembleia no Rio de Janeiro.

“A continuidade da greve dos Correios está sob a responsabilidade das decisões das assembleias, que são soberanas”, afirma em nota a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect). A paralisação tem como pontos centrais de reivindicação: oposição às reformas trabalhista e da Previdência, propostas pelo governo de Michel Temer (PMDB); contra a privatização dos Correios; retorno das férias; contra o fechamento de agências; auditoria da dívida pública; auditoria dos livros contábeis da empresa.

Após uma série de longas reuniões entre representantes dos sindicatos e a direção da empresa, a proposta de ontem, assinada por Guilherme Campos, retira a polêmica medida anunciada em abril da suspensão das férias dos trabalhadores. Entretanto, a proposta não deixa clara a manutenção da decisão em definitivo. O comunicado inicial propunha a suspensão das férias de maio deste ano a abril de 2018. De acordo com a proposta para finalizar a greve, os Correios não adotariam a medida apenas entre os meses de maio e junho.

“Nenhum dos pontos apresentados em nossa pauta de reivindicação foram efetivamente atingidos”, afirma a Fentect em documento encaminhado para as assembleias. Os que defendem o fim da paralisação, argumentam que dentro de dois meses a categoria começa sua campanha salarial, podendo retornar à rotina grevista a partir de então, mas sem retirada do estado de greve e com proposta de continuidade de mobilizações e audiências públicas contra a sanha privatista que paira sobre os Correios.

Em reunião realizada em abril, Campos, além de defender a retirada das férias dos trabalhadores, propôs o fechamento de 3.500 agências postais, além de citar um plano de demissões, que poderia, segundo a entidade, resultar em desligamentos em massa. A direção dos Correios sinalizou então com a reabertura de um Plano de Demissão Incentivada (PDI).

No início do ano, o plano já havia sido colocado em prática, mas o número de desligamentos esperado (8 mil) não foi atingido – 5.500 aceitaram.

A Fentect lamenta a decisão. “As propostas do PDI reduzem ainda mais o quadro de funcionários, coisa que não aceitamos. Nossa luta sempre foi contra demissões”, afirma a entidade.

O governo Temer não esconde a intenção de privatizar os Correios. Em abril, o ministro da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações, Gilberto Kassab, chegou a afirmar que “não vê outra saída para tirar a empresa da crise”. Em oposição, a Fentect defende que a empresa permaneça pública, e que outras medidas sejam tomadas para solucionar o problema financeiro.

“Investimento governamental na empresa, com devolução de R$ 6 bilhões desviados indevidamente dos cofres nos últimos anos; investimentos para solucionar o problema da violência e dos assaltos; fortalecimento da entrega de encomendas; manutenção das agências e distribuição em todos os municípios; estudo e criação de novos negócios que fortaleçam a empresa; contratação de trabalhadores para atender a demanda atual”, propõe a organização sindical.


Fonte: RBA

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