5 de maio de 2017 - 15h15

Guadalupe Carniel: Working Class Heroes


John Lennon, com a camisa do Chacarita Juniors John Lennon, com a camisa do Chacarita Juniors
Lá existia um time, o Defensores de Villa Crespo que ganhava de todos. Então um grupo de jovens se reuniu e montou um clube do bairro de Chacarita, mais precisamente na Rua Federico Lacroze com a Avenida Triunvirato (atual Corrientes), endereço do Partido Socialista da Seção 17. Para fundar o clube precisava-se pagar 3 pesos e pra isso os jovens foram coletando jornais antigos pelas ruas do bairro. O seu nome foi dado dentro de uma biblioteca anarquista.

Pouco tempo depois se mudaram para Jorge Newberry porque conseguiram uma espécie de sede social e o dono do bar emprestava mesas e cadeiras.

Suas cores? Branco e celeste, com a camisa celeste e os punhos brancos em homenagem ao país. Mas como abandonar suas raízes? Um time que nasceu em uma sede socialista nada mais justo que ter o vermelho, branco e o preto. Vermelho, do sangue dos operários de Paris de 1871, o clássico símbolo do socialismo, o negro é pelo cemitério do bairro e o branco é pela pureza da juventude.

Outros clubes argentinos foram fundados no seio operário como Rosario ou Ferrocarril Oeste, mas o Chaca teve um diferencial: eram jovens militantes.

Ah o estádio foi montado num terreno baldio, mas a polícia rapidamente desalojou os funebreros. 21 anos após a fundação (1927) conseguiram uma cancha próxima dos trilhos construída por sócios, dirigentes e jogadores. Nessa época, normalmente os clubes alugavam terrenos. E em 1942 os donos receberam uma oferta melhor e decidiram que era hora do Chacarita se mudar. E quem alugou o antigo terreno foi ninguém menos do que o Atlanta, seu rival.

Depois disso o time conseguiu um terreno em 1945 em San Martín, onde foi fundado seu estádio que está lá até hoje. Seu primeiro título foi em 1969 pela Primeira. E venceu simplesmente o River por 4 a 1.

Pra quem acredita que o futebol é só pão e circo e que esporte e política não se misturam, o Chacarita é mais um capítulo na história pra provar que isso tudo pode cair por terra. Ainda bem.


*Jornalista, pesquisadora e autora do blog Morte Súbita

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