Brasil

21 de abril de 2017 - 15h45

 Anderson Bahia - Antonio Levino, um gigante simples e discreto


   
Hoje é um daqueles dias em que a tristeza entra pela porta sem pedir licença e se instala. E quando chega assim, mais forte do que a gente, é prudente deixa-la se acomodar, tomar assento ao nosso lado e extravasar tudo que ela provoca. Seja em forma de lágrima ou dor. 

Dormi cedo nessa noite. Senti calor, mesmo num friozinho que se fazia, e despertei às 4 horas da manhã. É nessa circunstância que recebo a informação da morte do camarada Antonio Levino. 

Notícia de morte impacta na mesma forma proporção do sentido que a vida em questão fez para nós. E por conta disso, é impossível a imparcialidade nesse momento. Nessa última década em que tenho vivido integralmente a atividade política, a convivência com Levino foi a que mais me marcou do ponto de vista do aprendizado. Retiro a expressão “uma das mais” sem o medo de cometer excesso. Foi a que mais me marcou mesmo!

A assimilação mais aprofundada sobre o papel dos comunistas na sociedade, o conjunto de valores a serem desenvolvidos por quem se pretende revolucionário, a importância de um partido forte e estruturado como fator primordial para a repercussão das ideias justas e a necessidade do esforço particular, para além das atividades coletivas, na formação ideológica são questões para as quais despertei a medida que tinha um novo contato com o camarada. As insuficiências que carrego nesses e outros aspectos são responsabilidades só minhas.

E que contatos foram esses! Não é todo mundo e nem todo dia que se tem essa oportunidade. De fala tranquila, tom de voz praticamente inalterável - fosse o contexto agitado, tenso, tranquilo ou alegre, esbanjava sabedoria, serenidade e segurança. Próprio de quem já experimentou situações diversas e colheu o máximo que elas poderiam dar. Eis o diferencial. Em situações novas, o exercício da cautela e paciência, qualidade dos inteligentes. Um gigante camuflado em comportamento simples e discreto!

Quantas foram as vezes que a União da Juventude Socialista do Amazonas esteve reunida com ele, cheia de dúvidas, inquietações e polêmicas. Ouvia a todos olhando para a tela do computador, tablet ou fazendo anotações pontuais em folha de papel. Ao final, problematizava as questões principais, propunha medidas e sempre fazia o conjunto das pessoas saírem dali com os olhos brilhando, pensando mais além. Nas situações em que o partido esteve sob fortes ataques, como voltamos a está, era exatamente do mesmo jeito que se portava. Nunca o vi rebaixando um debate.

Nos últimos anos que fiquei em Manaus (estou há três fora), compus o secretariado e a comissão política do PCdoB na cidade, presidido por ele. Tive a oportunidade de viver a gestação de um modelo organizativo partidário voltado aos novos tempos, liderado pelo camarada. A resultante disso foi compartilhada nacionalmente algumas vezes. E mais aprendizado! 

Sou muito grato à vida por tudo isso. Cabe, a quem bebeu dessa fonte, seguir adiante na luta coletiva moldando do seu próprio jeito muito do que se aprendeu. Ao PCdoB no Amazonas, o desafio permanente de não ceder ao pragmatismo, pensar o partido estrategicamente para vencer os desafios contemporâneos e avançar por muitas gerações obtendo vitórias para o nosso povo. Essa é a principal maneira de honrar o legado do camarada.

Deixo à sua companheira Vanja e aos seus belos frutos, Ana Luiza e Ana Letícia, os meus mais sinceros sentimentos.

Camarada Antonio Levino, presente! Agora e sempre!



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