Brasil

20 de abril de 2017 - 15h41

Renan: A democracia é envenenada pela criminalização da política


Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
   
"Presenciamos o envenenamento da democracia pelo açodamento em desmoralizar homens públicos de bem, condenados antes mesmo do processo se instaurar, afrontando o poder eleito. Este é o grande engodo das cruzadas moralistas. A generalização deixa marcas em inocentes e os abusos soterram direitos fundamentais", afirmou o senador.

Renan criticou a conduta da imprensa nesse processo e reafirmou que o vazamento das delações foi “criminoso”.

"Delações bastam para MP acusar, lançando parlamentares na vala comum da corrupção", afirmou. "Impulsionadas por mais um vazamento criminoso, tornaram-se públicas as delações da Odebrecht, cujas palavras foram tomadas como ouro em pó e divulgadas com verdadeiro frisson pelo suplício público imposto à política nacional generalizadamente. Essas exorbitâncias acontecem porque o delator, para se livrar da prisão e auferir regalias, sucumbe à pressões para relacionar políticos como beneficiários de vantagens indevidas", criticou.

E acrescentou: "Devemos estar atentos para o uso da imprensa amiga com o objetivo de influenciar o Poder Judiciário. Sobre isso o magistrado francês Antoine Garapon diz: 'Alguns indivíduos aproveitam a mídia para se emancipar de qualquer tutela hierárquica. Ela lhes oferece um acesso direto, conforme expressão de Perelman, ao auditório universal, quer dizer, à opinião pública'", declarou.

Segundo o senador, há um movimento direcionado para “empurrar a representação popular para um gueto, o gueto dos imorais, sob os aplausos dos inocentes, dos desinformados e da má-fé”.

"A política exige, sim, reflexão, responsabilidade e também altivez. Os eleitos pela sociedade para representá-la não podem se transformar em uma manada tangida pelo medo e subjugada pela publicidade negativa. Com essas mesmas práticas, entronizaram o nazismo. Inexplicável que estejamos convivendo com o envenenamento da democracia, procedimentos sumários midiáticos", frisou.

Para Renan, há uma "obsessão por destruir um poder eleito", tendo como alvo os partidos políticos, "demonizados pelo MP". Renan lembrou a Operação Mãos Limpas, realizada na Itália e que é o modelo seguido pelo juiz Sérgio Moro na condução da Lava Jato. Renan destacou que a operação na Itália "exterminou os quatro maiores partidos políticos da Itália", mas preservou o partido fascista. "É preciso ter muito cuidado com o que nós importamos de outros países", advertiu.

"Antônio Di Pietro, o juiz que comandou a Operação Mãos Limpas e veio dar lição de moral aqui, no Brasil, abandonou, como todos sabem, a magistratura, criou um partido e virou deputado. Exaltado como exemplo de combate à corrupção, Di Pietro foi condenado em setembro do ano passado pelo Tribunal de Roma por ter exatamente arrecadado, indevidamente, fundos eleitorais para suas campanhas", disse Renan.

O senador enfatizou que “o momento histórico pede equilíbrio e serenidade”. "O caos e a crimizalização da atividade politica não ajudam a estabelecer a verdade", finalizou Renan.


Do Portal Vermelho, com informações de agências

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