América Latina

20 de abril de 2017 - 11h41

Sob pressão e protestos, Maurício Macri ataca o cinema argentino

Divulgação
Na noite desta quarta-feira (19), artistas, diretores, produtores, técnicos e estudantes se reuniram em frente ao local onde acontecia o lançamento do Festival de Cinema de Buenos Aires Na noite desta quarta-feira (19), artistas, diretores, produtores, técnicos e estudantes se reuniram em frente ao local onde acontecia o lançamento do Festival de Cinema de Buenos Aires

Atualmente há uma lei no país – vigente desde 1994 – que obriga a destinação de 10% do orçamento das bilheterias nacionais ao Fundo de Fomento Cinematográfico do Instituto Nacional de Cinema e Artes Visuais (Incaa). As emissoras de TV também são obrigadas a pagar 0,5% de seus lucros publicitários ao Fundo, o que representa cerca de 60% do orçamento do instituto. Esta verba permite a produção de quase 200 filmes por ano.

É nesta lei que Maurício Macri pretende fazer mudanças. Desde que o presidente derrubou aspectos centrais da Lei de Medios, no final do ano passado, a classe artística está alerta. À época ele anunciou uma possível reforma tributária cujo objetivo seria revogar estes dois impostos pagos pelas salas de cinema e emissoras. Agora está em debate a Lei de Convergência, que segundo os artistas, por enquanto só foi apresentada aos empresários.

A nova mudança que preocupou os produtores locais de cinema foi a demissão do diretor-geral do Incaa, Alejandro Cacetta, figura aclamada tanto por atores e diretores, como por autoridades do Ministério da Cultural. O possível nome apontado para ocupar o cargo, Ralph Haiek, não tem a mesma simpatia de seu antecessor por ter um portfólio robusto em televisão, mas não em cinema.
Os artistas temem também que a mudança de gestão no Incaa altere completamente a linha de atuação do instituto. Hoje a prioridade é a produção de alta qualidade, mas a prioridade do novo diretor pode ser apenas mercadológica, alertam. O diretor Luis Puenzo, ganhador de um Oscar, acredita que “por trás desta medida [saída de Cacetta] há muito dinheiro e muitos negócios. Este é um plano de negócios”.

Estas ameaças fizeram a classe artística se mobilizar em peso. Em apenas uma semana já realizaram dois grandes atos em repúdio aos ataques do presidente à política de cinema.

Sob o lema “No cinema não se toca”, diretores, atores, produtores, técnicos e militantes se reuniram nesta quarta-feira (19) em frente ao Cinema Gaumont, durante o lançamento do Bafici (Festival de Cinema de Buenos Aires). Eles mandaram um recado ao presidente: a classe artística está pronta para defender a politica de Estado que colocou a Argentina entre os mais destacados produtores de cinema do mundo.


Do Portal Vermelho

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