20 de abril de 2017 - 10h17

Mileide Flores: Sobre os livros humanos que nos avizinham


Foto: Igor de Melo
   
Não constitui um exagero afirmar que todo mundo um dia já disse ou ouviu a frase: “minha vida daria um livro”. Clarice Lispector genuinamente endossava esta crença particular tão amplamente proferida por bocas as mais diversas. Convidada da XII Bienal Internacional do Livro do Ceará, a escritora moçambicana Paulina Chiziane afirmou em sua mesa, no domingo à noite, que, sim, toda vida é digna de se transformar em livro. Da Ucrânia a Fortaleza, de Maputo a Recife, temos uma premissa que extrapola fronteiras, de tempo e de latitudes. É a busca de transformar o que parece ser ordinário, banal, comum, cotidiano para o reino da literatura em particular, e para o mundo das artes, em geral. É a este desejo de transcendência — inconsciente muitas vezes — que credito ser um dos fatores do sucesso da nossa Bienal, que começou na sexta-feira, dia 14, e termina no domingo, dia 23.

“Cada pessoa, um livro; o mundo, uma biblioteca” é o tema da XII Bienal Internacional do Livro do Ceará, que já ganhou epítomes como “A Bienal do Afeto” e “A Bienal da Diversidade”, para citar apenas dois. Satisfaz-nos a todos nós — tanto no papel de integrantes da equipe de realização da Bienal como enquanto cidadãos — saber que estamos contribuindo para que cada pessoa entenda que suas raízes, vivências e experiências são dignas, sim, de uma obra literária. Que perceba ainda e valorize também que, em qualquer situação em que se encontre, estará em companhia de outros livros humanos, que assim como os de papel (ou digital) são fontes de emoções as mais diversas.

Como todos sabemos, para ser um bom escritor é preciso ler muito. Em sendo todos nós livros, nosso mundo é, por extensão, uma biblioteca. Mas não nos esqueçamos de ler outros livros, ou seja, de ouvir, de ver, de ter empatia com as centenas de outros títulos que estão do nosso lado, ao nosso redor, do extremo da Cidade, no outro lado do mundo.


*Mileide Flores é Coordenadora Geral da XII Bienal do Livro do Ceará e coordenadora de Políticas de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas



Opiniões aqui expressas não refletem necessariamente as opiniões do site.


Fonte: O Povo

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