Brasil

18 de abril de 2017 - 15h12

Seminário discute reformas de Temer e aponta caminhos de resistência




O evento, que contou com a presença de trabalhadores, estudantes e integrantes de movimentos social e sindical, lotou o auditório da Faculdade de Arquitetura da UFBA, na Federação. A escolha da data foi simbólica: completa um ano da sessão da Câmara dos Deputados em que os parlamentares votaram pela abertura do processo de impeachment contra a presidenta Dilma, em 17 de abril de 2016.

“Um ano do impeachment fraudulento. Naquele dia, um domingo, se viu pela TV os deputados votarem pelo pai, pelo filho. Eles não votaram pela verdade, pelo povo brasileiro, pela democracia. Agora, estamos enfrentando o golpe na sua essência. A alma do golpe está encrustada na reforma da previdência, na reforma trabalhista, na perda de direitos”, justificou a deputada anfitriã.

Eugênio Aragão reforçou que as reformas de Temer já estavam no ‘script’ do golpe e que fazem parte do que chamou de negociatocracia. “As pessoas chegaram ao poder para fazer bons negócios para si. Como os senhores sabem, negociata é aquele grande negócio de que você não fez parte. Um exemplo é a reforma da previdência. Quem acha que o desejo honesto desse governo é poupar para as próximas décadas?”, questionou.

Jandira Feghali, que se tornou um dos principais ícones da luta contra o impeachment, reforçou as críticas às reformas e sustentou que o governo Temer quer acabar com princípios humanísticas, de proteção do indivíduo, que foram marcantes nos governos de esquerda. Para ela, a lógica do presidente segue à da atuação de países centrais do capitalismo, embora o Brasil atue com submissão, por ser considerado periférico entre os capitalistas.

“Esse tipo de ação que o impeachment teve como causa e como consequência busca, na verdade, fazer o que se faz em países centrais do capitalismo: substituir a generosidade, a solidariedade, o cuidado, a compaixão pela competitividade, pela apologia ao individualismo”, argumentou a parlamentar carioca.

Resistência

No encontro, os convidados também apontaram caminhos para a resistência ao governo Temer, como forma de barrar as reformas. Para Jandira, é preciso que os setores progressistas se unam, em uma grande frente de esquerda, e que as mobilizações de rua sejam intensificadas.

A greve geral marcada para o próximo dia 28 foi considerada por eles como um movimento importante para a demonstração da força da resistência do povo brasileiro contra a perda de direitos.



De Salvador,
Erikson Walla


  • VOLTAR
  • IMPRIMIR
  • ENCAMINHAR

Últimas Mais