Cultura

16 de abril de 2017 - 13h54

Com muita poesia, filme nacional retrata o interior de Minas Gerais

Divulgação
A Família Dionti estreou nesta quinta-feira (13) em todo o Brasil A Família Dionti estreou nesta quinta-feira (13) em todo o Brasil

Trabalhador de uma olaria, Josué espera há tempos que sua esposa volte com as chuvas fortes, porque ela se foi, “virou água”. Os meninos vão à escola de bicicleta, o mais velho trabalha e o mais novo, Kelton, adora jogar futebol com seus grandes bonecos de pano. Até que um dia um circo chega à vila e traz Sofia (Anna Luiza Marques), uma menina forte e cheia de assuntos para contar. É por Sofia que Kelton desenvolve os mesmos sintomas da mãe e começa a se derreter. Literalmente, virar água.

Altamente preenchido com metáforas, a “A Família Dionti” é uma reflexão filosófica da vida, do cotidiano, da morte, da inexistência, ainda que o realismo fantástico perpasse toda a narrativa. “A grande qualidade do filme é a delicadeza”, afirma o ator Antônio Edson.

O diretor e roteirista Alan Minas busca referências no poeta Manoel de Barros e no escritor Guimarães Rosa. “O filme transita entre realidade, fantasia e sonho sem, necessariamente, determinar limites”, argumenta. Há um cuidado com a construção da história, de forma que haja brechas para a interpretação do público. 

Minas são muitas

Elisa Almeida assistiu à pre-estreia do filme e saiu encantada com a produção. “Apesar de o diretor ser carioca, ou talvez por isso mesmo, acho que ele entrou na questão da mineiridade de uma forma muito verdadeira. E tem muita poesia. Captar essa poesia do mineiro tem a ver com o tempo, com esse tempo lento, de falar uma frase e parar um pouquinho. E isso me emociona”, afirma.

Além da forma de falar dos personagens, a cultura mineira aparece na música, na fotografia e nos hábitos do interior, expressa em cenas como a que Josué vai fazer compras em uma mercearia na vila. Alan conta que os locais escolhidos – as cidades de Cataguases, Guiricema, Leopoldina,
Recreio e Muriaé – interferiram na composição dos roteiros.

“É difícil construir essa verossimilhança [na retratação do universo local] no realismo fantástico. Contei com o trabalho conjunto”, afirma.

Murilo Quirino explica que durante os quatro meses de ensaio e estudo do roteiro, o elenco ajudou Alan a entender mais sobre a cultura mineira. “Por exemplo, gírias que ele trazia que a gente não fala. Aí a gente ia dando elementos para ele, sobre o nosso jeito de falar, a nossa velocidade de falar. Então teve bastante troca”, conta o ator.


Fonte: Brasil de Fato

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