Brasil

12 de março de 2017 - 8h42

Waldemar Menezes: O engodo neoliberal


Foto: Marcos Corrêa/PR - Fotos Públicas
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A maior recessão do País desde 1929 foi a notícia mais destacada da semana, consagrando o fracasso das políticas neoliberais aplicadas no Brasil, desde os governos FHC – privatizações, austeridade fiscal, desregulamentação, livre comércio e o corte de despesas governamentais a fim de reforçar o papel do setor privado na economia – e que, no Brasil, só tiveram alívio nos governos Lula e Dilma (embora ainda atados ao tripé econômico), que produziram a fase mais próspera da economia brasileira, criando mais de 20 milhões de empregos, resgatando 40 milhões da miséria, saindo do Mapa Mundial da Fome, nacionalizando o pré-sal, recuperando a indústria naval e proporcionando o aumento real e contínuo do salário mínimo.

Contrariedade


As classes dominantes brasileiras, apoiadas pela Casa Branca (por razões geopolíticas) determinaram que aquele modelo responsável pela redução de suas margens de lucro, em favor das maiorias sociais, não poderia continuar. E trataram de derrubá-lo através do golpe do impeachment, justificando que bastaria retirar Dilma Rousseff do poder para os investidores estrangeiros acorrerem ao Brasil e trazerem a prosperidade.

Mesmo entregando o pré-sal, à toda pressa, demolindo a Petrobras e outras empresas estratégicas nacionais, desmontando a indústria naval, desindustrializando e desempregando (já são 12 milhões de desempregados) e prometendo inviabilizar a previdência social, precarizar os empregos, através da terceirização, acabar com a Justiça do Trabalho e retirar dinheiro da Saúde e Educação -, os investidores não vieram. O País afunda e o desespero tende a levar a uma explosão social. Não poderia ser diferente, pois o receituário neoliberal nunca deu certo em lugar algum, como solução para os problemas da sociedade: só causou desgraças, aumentando a pobreza, o desemprego e a desigualdade social.


Violência

O modelo neoliberal só se implanta às custas da violência e repressão de um Estado apossado pelo capital financeiro e seus testas-de-ferro. Começou com o general Augusto Pinochet, no Chile, que para viabilizá-lo implantou uma ditadura sanguinária que matou mais de 40 mil pessoas críticas ao regime, segundo relatório da Comissão Valech, encarregada de investigação dos crimes da ditadura. O plano para a economia fora preparado previamente, nos EUA, pelos Chicago Boys.

Na Inglaterra de Thatcher, foi preciso utilizar a repressão policial do Estado “democrático” contra o movimento sindical, provocando uma regressão social jamais vista: a renda do andar de cima cresceu pelo menos cinco vezes mais do que a renda dos que estavam no andar de baixo; a desigualdade aumentou em um terço, o Coeficiente de Gini da Grã-Bretanha decaiu substancialmente, passando de 0,25 em 1979 para 0,34 em 1990.

Levantamentos mostraram que, em 1990, quando Thatcher foi derrotada, 18% das crianças inglesas eram consideradas pobres — o pior desempenho dentre os países desenvolvidos — índice que continuou subindo até atingir um pico de 24%, em 1995-96 (The Wall Street Journal,1º novembro 2007).

Atraso

Na Europa, desde 2008, o neoliberalismo vampiriza França, Itália, Espanha, pôs a Grécia de joelhos e inviabilizou outros países. Todos atolados em retração, recessão e desemprego, dos quais ainda não conseguiram safar-se. Portugal, também atolado, só começou a mudar, recentemente, ao eleger um governo de esquerda que começa a colher os primeiros frutos de seu afastamento do receituário neoliberal.

O Brasil faz caminho inverso ao dos portugueses, retoma o neoliberalismo, abraçando fundamentos repelidos hoje pelo próprio Fundo Monetário Internacional (FMI). Este publicou um estudo de autoria de três economistas da instituição reconhecendo que o receituário neoliberal, prescrito pelo próprio FMI para nortear o crescimento econômico sustentável em países em desenvolvimento, “pode ter efeitos nocivos de longo prazo, dado que, em vez de gerar crescimento, algumas políticas neoliberais aumentaram a desigualdade, colocando em risco uma expansão econômica duradoura, isto é, prejudicando o nível e a sustentabilidade do crescimento”. É o caso do Brasil atual.

Fiasco

Esta semana, a economista e professora do Instituto de Economia da UFRJ, Esther Dweck, escreveu um artigo , criticando a política neoliberal do governo Temer. Alertou que não haverá crescimento, se ela for mantida, depois de alcançar o estágio de pior recessão da história do Brasil. Desmentindo a fala de Henrique Meirelles, da Fazenda, que afirmou a volta do crescimento, para breve, a economista retrucou: “Eu não sei em qual País, porque os últimos números divulgados pelo IBGE mostram que, na margem, nos últimos dois trimestres de 2016, a economia voltou a piorar. O carryover para o crescimento de 2017, que é o crescimento da economia se esta ficar onde está, é de -1,1%. Ou seja, se nada acontecer, teríamos uma terceira queda do PIB. Algo visto apenas em países com grandes catástrofes”.




 
Waldemar Menezes é jornalista

Fonte: O Povo

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