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11 de março de 2017 - 9h49

Mulheres serão as mais afetadas pela reforma da Previdência


   
Os defensores da reforma no governo argumentam que será a criação de condições “iguais para todos”. Seria justo se homens e mulheres partissem do mesmo patamar de direitos e oportunidades. Só que isso, infelizmente, ainda não é uma realidade no Brasil. A proposta desconsidera que as mulheres trabalham mais que os homens durante a vida. Pois apesar de viverem sete anos a mais, segundo o IBGE, elas geralmente cumprem dupla jornada, ou seja, trabalham no emprego e em casa.

Mesmo quando cumpre uma jornada de trabalho igual, levando em conta as tarefas domésticas percebe-se que a mulher trabalha quase o dobro do que o homem. É que culturalmente o cuidado com a família é uma responsabilidade atribuída quase sempre às mulheres. Pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) constatou que enquanto as mulheres – mesmo quando não têm filhos – gastam em média 26,6 horas semanais com serviços de casa, os homens gastam 10,5 horas. Quando têm muitos filhos, elas chegam a trabalhar quase cinco horas a mais por dia em casa. O que não acontece com os homens, que dedicam em média pouco mais de uma hora por dia às tarefas domésticas, independente de serem casados, do tamanho da família ou de estarem empregados ou não.

Além da carga horária maior, as mulheres têm salários menores do que os homens. Segundo o último Censo do IBGE (2010), a renda mensal bruta das mulheres é de R$ 1.217, menos de três quartos da média entre os homens, que é de R$ 1.673. Ou seja, apesar de todos os avanços e do empoderamento da população feminina nos últimos anos, as brasileiras estão ainda em situação extremamente desigual em relação aos homens. É claro que existem exceções, mas esta é a regra: mulheres trabalham mais e ganham menos.

A legislação não pode negar a realidade do país. Pelo contrário, deve ajudar a reduzir injustiças, como aquelas citadas acima, que mantém aberto um abismo de desigualdades entre os gêneros. As diferenças entre homens e mulheres não podem ser ignoradas quando se discutem mudanças nas regras previdenciárias que afetam toda a população. É mais um forte motivo para que todos nós trabalhadores, mulheres e homens, estejamos empenhados em lutar para evitar retrocessos.

Nas últimas eleições presidenciais, o Brasil votou contra a perda dos direitos trabalhistas. Não vamos admitir que um presidente ilegítimo, sem voto, promova com a reforma da Previdência, a reforma trabalhista e outros retrocessos um verdadeiro desmanche de direitos que foram duramente conquistados, da renda e da dignidade dos trabalhadores e trabalhadoras brasileiros.

Abaixo as reformas de Temer! Eleições diretas já!




 
Márcio Ayer é presidente do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro.

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