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9 de março de 2017 - 17h31

Julian Assange acusa CIA de "incompetência"


AP
Assange, em uma das janelas da embaixada do Equador em Londres  Assange, em uma das janelas da embaixada do Equador em Londres 
O fundador da plataforma Wikileaks, Julian Assange, afirmou nesta quinta-feira (9), após a divulgação de documentos secretos da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) que revelariam práticas de espionagem digital, que trabalhará em conjunto com as empresas de tecnologia para desenvolver ferramentas de proteção contra essa prática.

Nesta terça-feira, o Wikileaks divulgou 8.761 documentos, supostamente da CIA, que expõem detalhes da utilização e desenvolvimento de ferramentas de hacking, como vírus, cavalos de troia, malwares e outras armas digitais capazes de contornar a criptografia de aplicativos de mensagens populares, como Whatsapp e Telegram, além de transformar smartphones e aparelhos de televisão em ferramentas de espionagem.

"É um ato histórico de incompetência devastadora criar esse arsenal e armazená-lo em um só lugar", disse Assange durante entrevista realizada pela internet a partir da embaixada do Equador em Londres, onde ele se encontra desde 2012.

"É impossível manter controle efetivo sobre armas cibernéticas. Quem as constrói irá, eventualmente, perdê-las", disse o ativista. Ele afirma que o Wikileaks possui ainda mais informações sobre as operações de hacking da CIA, mas vai reter sua divulgação até depois de conversar com as empresas de tecnologia sobre como evitar a espionagem digital.

"Decidimos trabalhar com elas e dar-lhes acesso exclusivo aos detalhes técnicos adicionais que temos, para que os reparos possam ser desenvolvidos e postos em prática", afirmou.

"Uma vez que esse material seja efetivamente desarmado por nós, divulgaremos detalhes adicionais sobre o que tem ocorrido", acrescentou. "Essa coleção extraordinária, que soma mais de centenas de milhares de linhas de código, fornece a quem a possui a totalidade da capacidade de hacking da CIA", assegurou Assange.

A maioria dos analistas que examinou o conteúdo do material atestou que seria de fato verdadeiro. A Imprensa americana afirmou que o FBI abrirá um inquérito criminal para investigar o vazamento. Segundo o jornal Washington Post, a investigação resultará numa "grande caça aos informantes".

A CIA acusou o Wikileaks de ajudar os adversários do país e colocar vidas americanas em risco com a divulgação dos documentos, mas não confirmou a autenticidade deles.

A origem do vazamento das informações sigilosas permanece desconhecida. O Wikileaks disse que os documentos, ferramentas de hacking e códigos estavam em um arquivo que circulava entre o governo americano e empresas particulares prestadoras de serviços.


Fonte: Deutsche Welle

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