Brasil

17 de fevereiro de 2017 - 10h03

ONU desmente supostos prêmios de ministros de Temer

Reprodução GGN
   

A desembargadora aposentada Luislinda Valois foi nomeada para o recém Ministério dos Direitos Humanos. Em nota divulgada, o Palácio do Planalto ressaltou que a nova ministra tinha o título de “embaixadora da paz da ONU em 2012”.

A Folha de S. Paulo foi verificar junto às Nações Unidas se a informação era verdadeira. Em resposta, a ONU teve que desmentir a informação, completando ainda que o posto de “embaixadora da paz” da organização sequer existe.

Na verdade, a homenagem foi de uma ONG chamada UPF, que significa Federação para a Paz Universal. É apenas uma das mais de três mil entidades que prestam serviços de consultoria não ainda para a ONU, mas para um dos braços econômicos e sociais das Nações Unidas, a Ecosuc.

“Nenhuma instituição ou empresa está formal ou legalmente autorizada a representar ou a falar em nome das Nações Unidas, ou de qualquer departamento do Secretariado da ONU”, disse a organização, em resposta.

Não é a primeira vez ou o primeiro caso. Em 2009, o tucano José Serra saiu alardeando nas redes sociais que, a caminho da Suíça, estava cansado, mas ainda precisava preparar seu discurso para receber a homenagem da ONU.

Á época, assim como agora fez o Planalto, o governo de São Paulo divulgava em seu portal a notícia oficial: “Serra recebe homenagem na sede da ONU, em Genebra”. O release foi repercutido nos grandes jornais e imprensa, destacando o título recebido pelo então governador do estado, José Serra.

Mais uma vez, a própria ONU foi obrigada a desmentir a publicidade. O escritório da ONU no Brasil escreveu uma nota de esclarecimento, informando que a homenagem era de uma Organização da Família, que era ONG, e mais uma das 3 mil associadas ao Conselho Econômico e Social das Nações Unidas.

“A World Family Organization (WFO) não é uma entidade da Organização das Nações Unidas. Trata-se de uma Organização Não Governamental (ONG) associada ao Conselho Econômico e Social da ONU (...) As ONGs associadas não representam a ONU nem podem, em qualquer hipótese, falar em nome da Organização”, desmentiu.

Soube-se que era apenas uma entidade que fazia serviços voluntários para a ONU. E, ainda, não seria nem preciso ir à Suíça para receber o prêmio, porque a fundadora era uma médica brasileira e a sede fica em Curitiba, no Paraná, Brasil.

O “discurso” formulado pelo então governador de São Paulo foi feito dentro de uma sala da ONU. Outras duas homenageadas na mesma ocasião – uma princesa do Kuwait e a ex-primeira-dama do Reino Unido – nem se deram o trabalho de comparecer ao local para receber o prêmio.

O enaltecimento divulgado pelo Planalto, agora, em 2017, pode ser assim descrito: o mesmo prêmio recebido pela nova ministra de Temer foi concedido também à banda baiana de forró Flor Serena, ao ex-candidato a prefeito João Bico (PSDC/SP) e a outros líderes religiosos.



Fonte: Jornal GGN

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