Brasil

12 de fevereiro de 2017 - 14h31

Após apelo do governo, parte da PM volta a patrulhar ruas de Vitória


Divulgação / PM Espírito Santo
Apesar do retorno parcial, ainda não se pode afirmar que acabou a greve Apesar do retorno parcial, ainda não se pode afirmar que acabou a greve
Em nota, a assessoria de comunicação da Polícia Militar diz que, após a chamada operacional realizada na Praça Oito e na rodoviária, 600 militares começaram a realizar policiamento ostensivo a pé nos locais indicados pela PM. Somente os agentes que estavam de folga, de férias ou deixaram os batalhões sem suas fardas retornaram às ruas, o que torna prematuro afirmar que a paralisação da PM chegou ao fim.

As esposas de policiais amotinados seguem acampadas na frente de batalhões em Vitória, e a maioria dos homens está aquartelada. Segundo o governo do Espírito Santo, já é possível ver alguns policiais nas ruas de Vila Velha, Cariacica e Serra, na região metropolitana, e em Cachoeiro de Itapemirim e Domingos Martins, localizadas no interior do estado.

O governo do estado acredita que o anúncio de punições aos policiais feitos desde a sexta-feira pode (10) ter influenciado a decisão dos militares de atender ao chamado do comandante-geral da corporação.

A ofensiva contra os grevistas inclui o indiciamento de 703 PMs, o anúncio de que tropas federais permanecerão no estado por tempo indeterminado e a promessa do governo Temer de que a base aliada no Congresso não votará a anistia aos policiais.

Na praça Oito, no centro da capital, cerca de 50 policiais à paisana se apresentaram até as 17h30 e esperavam no local, já que não poderiam sair para realizar o policiamento sem o uniforme. Já cerca de 60 homens se apresentaram na rodoviária de Vitória. No sábado, a chamada ocorreu às 16 horas e, no domingo, começou às 8 horas da manhã.

O tenente-coronel Rodrigo, comandante do Regimento de Polícia Montada, afirmou que policiais de diferentes batalhões estão se apresentando. "Estão fazendo a chamada geral. Algumas viaturas estavam rodando mais cedo e, agora, está incorporando mais militares que estavam de férias e de folga. A Polícia Militar quer voltar", afirmou.

O acordo entre as associações de policiais militares e o governo estadual na noite de sexta-feira não foi suficiente para colocar fim à paralisação que mantém há uma semana os policiais militares e os bombeiros fora das ruas do Espírito Santo. As esposas dos policiais não participaram das negociações com o governo.

Enquanto os policiais estavam aquartelados, o estado vivia uma onda de roubos, saques e violência. Segundo dados do Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo (Sindipol/ES) divulgados neste sábado, o número de homicídios no estado chegou a 137 uma semana depois da paralisação da Polícia Militar.

Reivindicações

A greve dos PMs começou de forma inusitada na sexta-feira (3), quando familiares dos policiais, em especial mulheres, ocuparam a porta da frente de uma companhia militar e impediram a saída de viaturas. O movimento se espalhou para outros batalhões no estado. 

Os policiais, proibidos por lei de fazer greve, reivindicam melhores salários e condições de trabalho. Nesta sexta-feira, 703 policiais foram indiciados pelo crime de revolta e podem ser expulsos da corporação. De acordo com a Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar e Bombeiro Militar do Estado do Espírito Santo (ACS), o salário base de um policial no estado é 2,6 mil reais, abaixo da média nacional 4 mil reais.


Fonte: DW

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