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11 de fevereiro de 2017 - 8h10

Dois tipos de direitistas


   
Esse texto é uma “homenagem” a dois “amigos”, um mineiro e um paulista”, que excluí hoje da lista de meus seguidores no twitter. Nele vou tratar apenas de dois tipos curiosos de direitistas, entre os mais variados que infestam as redes sociais. Vamos lá.

O primeiro, e o mais degenerado entre ambos, acho, é aquele que estufa o peito e diz bem alto: “eu fui de esquerda, votei no PT”. Depois desanda a fazer proselitismo de suas “novas ideias”. Pior que um direitista empedernido é um esquerdista arrependido, já foi dito. Sejamos francos: essas criaturas na verdade nunca foram de esquerda, apenas curtiram moda no período em que as coisas eram mais fáceis e essa aproximação poderia, quem sabe, resultar num empreguinho ali ou um favor para um parente acolá. Nunca foram ideológicos, nunca assimilaram para valer o projeto de construção de uma sociedade mais humana, mais solidária. Boa parte desses que curtiram moda na esquerda fizeram o mesmo na direita em período anterior, e nada assegura que mais adiante, não voltem envergonhados para o lado do campo popular e progressista. Como camaleões, esses farejadores de circunstâncias favoráveis para si e seus próximos, se adaptam facilmente para sobreviver ao sabor das conveniências.

Eles não se envergonham de em período anterior terem “lutado” pelos direitos humanos e hoje bradarem que bandido bom é bandido morto. Da mesma maneira não se constrangem de no passado terem levantado bandeiras contra a ditadura e recentemente terem rebolado nas passeatas golpistas ao som do coro “Cunha eu te amo”, e levantado faixas com conteúdo fascistas.

O ex-esquerdista precisa o tempo inteiro provar aos seus novos pares que assumiu pra valer o novo discurso e para tanto, usa camisa com os dizeres “Não tenho culpa, votei no Aécio”, posta peças provocativas diariamente contra Lula e Dilma; protesta freneticamente contra a corrupção atribuída ao PT, ao tempo em que faz vistas grossas às denúncias contra seus novos correligionários, e descaradamente apoia um presidente sabidamente corrupto. A maior prova de conversão que o ex-esquerdista oferece aos seus novos companheiros - e isso é uma obrigação permanente e humilhante -, é fazer uma selfie com policiais e comemorar nas redes quando os bandidos fardados espancam negros, jovens, trabalhadores, homossexuais etc.

Um outro grupo de direitistas é aquele composto por pessoas rigorosamente direitistas, desculpe a redundância. Digo dessa maneira porque ao contrário da turma citada acima, que assume pública e despudoradamente o que momentaneamente julga pensar, essa tribo de reacionários, provavelmente envergonhados, repete o tempo inteiro não ser de direita nem de esquerda. Eles sentem prazer enorme em se apresentar como " apolítico", "apartidário" etc, enganando a si próprios ou fingindo serem enganados.

Enquanto se apresentam como “neutros”, toda vez que postam alguma peça nas redes, faz preâmbulos para anunciar que não são de um campo ou outro, mas quando vamos examinar o conteúdo de suas mensagens, não tem erro: é misoginia, racismo, homofobia, xenofobia, desprezo e preconceito com as camadas despossuídas. No geral o “neutro” defende a denominada escola sem partido, diz que o golpe não foi golpe, repele a " ditadura gay", detona as cotas nas universidades - é defensor da tal meritocracia -, ataca Lula sem piedade, mas quando se refere a políticos de direita é somente para demonstrar admiração.

Esse naco da direita, como o grupo anterior citado, adora atacar Cuba, rotular presidentes do campo democrático de ditadores, enfim, fala e repete o que a direita gosta, vota em candidatos de direita e continua dizendo não pertencer ao bloco ao qual se afina e reverbera o discurso. O direitista neutro acha que os justiceiros a serviço do PSDB, Moro e Dallagnol, estão acima de deus, assim como os dois seguidores de Mussolini se imaginam. E passa o dia pesquisando esgoto na internet para reproduzir o lixo fétido gerado a partir da escória da direita brasileira como Reinaldo Azevedo e Janaina Pascoal, suas referências não assumidas.

Esse esquisito comportamento não seria o caso para um estudo mais apurado sobre a que ponto o cinismo pode dominar impiedosamente um ser humano corrompido moralmente?

Como podemos perceber, o primeiro grupo tem como característica principal o oportunismo, mas tem a “virtude” de ser honesto no que assume. O segundo grupo é mais consistente do ponto de vista ideológico, mas não tem honestidade intelectual. No final das contas, do ponto de vista político, são quase a mesma coisa e trabalham em conjunto com outros tipos de reaças. Eles são inimigos da verdadeira democracia, inimigos viscerais da ideia de uma sociedade onde as riquezas não sejam concentradas em tão poucas mãos.

A depender de cada um, o sentimento em relação a essas pobres criaturas pode ser de repulsa ou pena. O que você acha?



 
*Galindo Luma é cronista

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