Brasil

7 de janeiro de 2017 - 14h03

Morre Ricardo Piglia, clássico contemporâneo da literatura argentina


MARIANA ELIANO
   
 Viveu entre a Argentina e os Estados Unidos e a literatura, mas passou seus últimos meses em Buenos Aires por causa da esclerose lateral amiotrófica (ELA), que afetou os neurônios que controlavam seus músculos, mas não lhe tirou a lucidez intelectual e criativa, razão pela qual trabalhou até quase o último momento.

Autor de três livros de contos, seis ensaios e uma novela curta, Piglia escreveu cinco romances, entre 1980 e 2013. Com o primeiro, Respiração Artificial, conquistou um lugar entre os autores latino-americanos indiscutíveis posteriores ao boom. Aquela história sobre a ditadura militar de seu país foi seguida por doze anos de silêncio romanesco até que voltou com A Cidade Ausente. Cinco anos mais tarde, em 1997, sua literatura atingiu o grande público com Dinheiro Queimado. Mais 13 anos de silêncio foram interrompidos com Alvo Noturno, em 2010, e um rastro de prêmios que incluíram o da Crítica na Espanha e o Rómulo Gallegos. Seu último romance foi O Caminho de Ida, em 2013.

Antes de Respiração Artificial, e entre esses romances, Ricardo Piglia escreveu contos e ensaios, muitos ensaios sobre escritores, sobre a arte de escrever, sobre a crítica literária e a edição; entre os quais se destaca um artefato criativo que reflete aquele menino que queria desmontar os parafusos da linguagem ou descobrir as doses das poções do feitiço literário: Crítica y Ficción (Critica e Ficção). São 226 páginas originais do ano de 1986, mas atualizadas em 2001, nas quais Piglia bebe da tradição literária universal e daquela de seu país, à maneira de Borges, com um “tratado de poética” em que ele está num bar com amigos e estes lhe perguntam coisas, coisas em que se juntam sua vida e sua literatura, nas quais se desvelam os fios que tecem seu pensamento de cidadão, leitor, crítico, professor, editor e narrador.





 Fonte: El País

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