Brasil

6 de janeiro de 2017 - 15h17

Governo Temer já acumula quase quatro carandirus


   
Na prática o governo Michel Temer produz, com a sua inoperância, um massacre do Carandiru a cada quatro meses. O caso, ocorrido em São Paulo, em outubro de 92, é considerado o maior genocídio de presos do país em todos os tempos e um dos maiores do mundo.

Na época, é sempre bom lembrar, Michel Temer assumiu a Secretaria de Segurança do Estado de São Paulo no lugar de Pedro Franco de Campos. Ao tomar posse, ele anunciou como reação ao massacre que recomendaria repouso e meditação para os policiais envolvidos.

O caso, que seria trágico não fosse cômico, se repete como tragédia. O plano de segurança de emergência proposto por Temer não só já estava previsto no orçamento como não resolve nem 0,4% do déficit de vagas em cadeias.

O desastre coloca em xeque também a febre privatizadora em penitenciárias federais. Uma das primeiras frases de Temer, após um longo silêncio de três dias depois do massacre de Manaus, foi culpar a empresa contratada, ironicamente chamada de Umanizzare: "O presídio era terceirizado e privatizado, portanto, não houve uma responsabilidade objetiva, clara e definida dos agentes estatais".

A mesma cantilena foi repetida por seu ministro da justiça, Alexandre de Moraes: "A responsabilidade vai ser analisada pela força tarefa que está fazendo a investigação. O presídio é terceirizado. Não é uma PPP. É uma terceirização dos serviços. De cara, óbvio, houve falha da empresa. Não é possível que entre armas brancas, facões, pedaços de metal, armas de fogo inclusive escopeta", declarou o ministro.

Privatizações em presídios, bem como em vários outros setores vitais da administração pública, são aplaudidos, propagados e instaurados por Temer, a sua base aliada e, sobretudo, pelo PSDB, partido cuja sanha de vender ou arrendar responsabilidades públicas se confunde com as suas próprias cores e bandeiras. As mesmas, no entanto, certas ou erradas, não pressupõem a isenção de culpa do Estado, muito ao contrário. Temer, seu ministro da justiça, bem como toda a horda de aliados, são sim, responsáveis por cada um dos mortos em presídios brasileiros, bem como as que ocorrem em hospitais e equipamentos públicos administrados por organizações sociais.

No final das contas o que temos para hoje são erros primários e um grande jogo de empurra – o primeiro culpado encontrado foi o governo do Amazonas que, segundo o ministro Alexandre de Moraes, sabia de um grande plano de fuga e não avisou ninguém. Estes e muitos outros erros crassos, omissões e projetos para inglês ver têm custado centenas de cadáveres empilhados, famílias desesperadas e um desgoverno de quatro para o crime organizado.

Temer, o vice decorativo, conspirador e inoperante, talvez acabe derrubado por quem menos esperava, ou seja, o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho.





  • VOLTAR
  • IMPRIMIR
  • ENCAMINHAR

Últimas Mais